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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A menina e a prova difícil

Todos os dias, o mesmo ritual se dá.
Sempre no mesmo horário, o ônibus escolar pára rente à calçada e, pelo menos a fiscal aguarda uns três minutos para que ela, com toda a calma aparente, se desprenda do cinto de segurança e caminhe pelo corredor, como se fora uma passarela, portando sua pesada mochila e o inseparável casaco, faça frio ou não. Sinto que o agasalho para ela, substitui naquele trajeto, o abraço caloroso da mãe a protegê-la.
Desce enfim do ônibus e com um sorriso enigmático, tal qual o da Monalisa, encaminha-se para a tia que, ignorando o fato de ela ser uma quase adolescente, recepciona-a com todos os "inhos", agora tão impróprios para a sua idade.
Livre dos vizinhos e agora já dentro do elevador, ela faz a pergunta principal do dia, tentando adivinhar o que terá para o almoço, sua preocupação permanente, já que tem ordens expressas do pai para não exagerar nas gulodices impeditivas de uma boa saúde.
Hoje, no entanto, desde as primeiras horas da manhã, a tia não consegue esquecer que "aquela nota da prova" tão necessária para que ela permaneça na média, já que escorregou feio na prova anterior, seria divulgada pela professora.
A tia, hábil que é, e não querendo feri-la, na possibilidade de um resultado negativo, espera o melhor momento para inquiri-la e ela, esperta que é, finge não perceber a ansiedade da tia, parecendo saborear aquela vitória sagaz.
A menina entra em casa, troca de roupa, senta-se à mesa para o almoço e ambas caladas, vivem situações diversas em pensamento.
A menina sorri internamente esperando o primeiro passo da tia.
A tia já visivelmente ansiosa, não desvia os olhos da menina, em busca de qualquer informação a respeito do resultado da prova.
O imediatismo da menina, no entanto, não permite alongar aquela situação e, de pronto, sai da mesa e saca da mochila a prova tão esperada, exibindo 84 pontos.
A sapiência da tia vai a zero, quando a menina com a sua docilidade pergunta a tia por que ela não quis saber a nota, logo que ela chegou, enfatizando que se tivesse se dado mal, alguma coisa ia ter que fazer para melhorar !!!
Bela forma de viver das crianças. Livres de tudo !
(Adir Vieira - 30/09/10)
Fonte da imagem:pixmac.com.br

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Levitando...


Sabe aquele dia em que você acorda desconectada do mundo?
Pois é, parece que hoje está acontecendo isso comigo.
Meus pés não caminham à minha ordem, meus braços não tem a firmeza necessária, sinto-me leve como um pássaro e comporto-me como se ainda não estivesse de todo acordada.
Sento-me à mesa e a sensação é a mesma. Aquela leveza, como se meu corpo não estivesse ali, comigo.
Não me assusto porque sei que minha saúde está ok e chego a pensar que viajei para outros mundos enquanto dormia.
Insisto em seguir em frente e logo, logo, as respostas me chegam nessa desconexão.
Vou até a cozinha para preparar o café e a cafeteira derrama sem que nem porque, todo o pó para a preparação. Objetos habituados ao meu toque de mãos diário, fogem delas como se num complô, quisessem me dirigir a outro lugar, não ali, naquela cozinha.
Ainda estou leve, quase levitando e vou em frente nos meus afazeres, quando percebo que deixei uma das torneiras abertas e a água já molhava meus pés. Sigo, fecho a torneira, abaixo para enxugar o chão e como se alguém estivesse ali a me descoordenar, bato com a cabeça firmemente no armário próximo a pia.
Foi o que faltava para me acordar de vez.
Pode?
(Adir Vieira - 28/09/10)
Fonte da imagem:babyvelvet.blogspot.com

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Tomara Deus!


Ontem, depois de uma semana sem vê-la, a encontrei de novo.
Impressionante, como a cada dia que passa, nesse momento mágico que atinge a pré-adolescência, as mudanças são rápidas e sempre de muito destaque aos olhos de quem observa com precisão.
Seu rostinho, antes redondo e cheio de cor com aqueles olhinhos sorrindo sem parar, agora, sem mais nem porquê, adquire traços finos, expressão significativa no olhar, introspecção e um segredo latente do que lhe vai no coração.
Basta apenas uma semana para que mudanças e mudanças, no jeito de falar, na forma de andar, na postura do corpo, surjam aos nossos olhos.
O sorriso, no entanto, não muda...
Aquele sorriso aberto, gostoso, de quem acredita, de quem é forte o suficiente para segurar qualquer barra da vida.
Sob o meu olhar orgulhoso, estão preces e preces para que nunca ela se decepcione
.
(Adir Vieira - 27/09/10)
Fonte da imagem:meusdesenganospetrificados.blogspot.com

domingo, 26 de setembro de 2010

Domingo (Olavo Bilac)


Domingo... Os sinos repicam
Na igreja, constantemente,
E todas as ruas ficam
Alegres, cheias de gente.
Todo um dia de ventura...
Como o domingo seduz!
O homem, cansado, procura
Ter paz, ter ar, e ter luz.
Paradas e sem trabalho,
Dormem na roça as enxadas;
Dormem a bigorna e o malho
Nas oficinas fechadas.
Também, meninos cansados,
Os vossos livros deixai!
Deixai lições e ditados!
Dormi! Sorri! Cantai!
Fechem-se as aulas! e o bando
Ruidoso das criancinhas
Livre se espalhe, voando,
Como um bando de andorinhas!
Deus, quando o mundo fazia,
Sete dias trabalhou,
E ao fim do sétimo dia
Do trabalho descansou...
Fonte da imagem: putadevida.weblog.com.pt

sábado, 25 de setembro de 2010

Intensidade...


Tudo em mim é intenso...
Não sei chorar pouco
ou não desejar tudo...
Se a dor se apresenta
me dilacera,
no entanto se vem a alegria,
se apresenta com festa...
Sentir assim é bom ou ruim?
Pergunta-se o poeta
e busca na mente em detalhes
dispersos, a resposta precisa
para esse sentir forte,
profundo, rijo, que de tão forte
às vezes sem sentido...
não deixa o sentir doce e sim vazio...

(Adir Vieira - 25/09/10)
Fonte da imagem:
meme.yahoo.com

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O trabalho (Olavo Bilac)


Tal como a chuva caída
Fecunda a terra, no estio,
Para fecundar a vida
O trabalho se inventou.
Feliz quem pode, orgulhoso,
Dizer: “Nunca fui vadio:
E, se hoje sou venturoso,
Devo ao trabalho o que sou!”
É preciso, desde a infância,
Ir preparando o futuro;
Para chegar à abundância,
É preciso trabalhar.
Não nasce a planta perfeita,
Não nasce o fruto maduro;
E, para ter a colheita,
É preciso semear...
Fonte da imagem: abrangente.blogspot.com

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Aos meus amigos mineiros ou não...



Ocê é o colírio du meu ôiu.
É o chicrete garrado na minha carça dins.
É a mairionese du meu pão.
É o cisco nu meu ôiu (o ôtro oiu - eu tenho dois).
O rechei du meu biscoito.
A masstumate du meu macarrão.
Nossinhora!
Gosto dimais DA conta docê, uai.
Ocê é tamém:
O videperfume DA minha pintiadêra.
O dentifriço DA minha iscovdidente.
Óiprocevê,
Quem tem amigossim, tem um tisôru!
Ieu guárdêsse tisouro, com todu carinho ,
Du Lado isquerdupeito !!!
Dentro do meu Coração!!!
AMO Ocê, uai!!!
Fonte: Internet

domingo, 19 de setembro de 2010

Poesia Caipira: Velhice – Autor: Carlos Alberto Teixeira

Vô contá como é triste, vê a veíce chegá.
Vê os cabelo caíno, vê as vista encurtá.
Vê as perna trumbicano, com priguiça de andá.
Vê "aquilo" esmoreceno, sem força pra levantá.
As carne vão sumíno, vai pareceno as vêia.
As vista diminuíno e cresceno a sombrancêia.
As oiça vão encurtando, vão aumentano as orêia.
Os ovo dipindurano e diminuíno a pêia.
A veíce é uma doença que dá em todo cristão.
Dói os braço, dói as perna, dói os dedo, dói a mão.
Dói o figo e a barriga, dói o rim, dói o purmão.
Dói o fim do espinhaço, dói a corda do cunhão.
Quando a gente fica véio, tudo no mundo acontece.
Vai passano pelas ruas e as "minina" se oferece.
A gente óia tudo, benza Deus e agradece,
correno ligeiro pra casa, ou procurano o INSS.
No tempo que eu era moço, o sol prá mim briava.
Eu tinha mir namorada, tudo de bão me sobrava.
As minina mai bonita da cidade eu bolinava.
Eu fazia todo dia, chega o bichim desbotava.
Mas tudo isso passô, faz tempo, ficô pra tráis.
As coisa que eu fazia, hoje num sô capaiz.
O tempo me robô tudo, de uma maneira sagaiz.
Pra falá mesmo a verdade, nem trepá eu trepo mais.
Quando chega os setenta, tudo no mundo embaraça.
Pega a muié, vai pra cama, aparpa, beija e abraça.
Porém só faiz duas coisa: Sorta peido e acha graça.
Fonte: Internet

sábado, 18 de setembro de 2010

Dezoito de setembro, o dia mais significativo de nossas vidas


Em dezoito de setembro, até quatro anos atrás,quando ela faleceu, nesse dia, comemorávamos o aniversário de minha mãe.
Hoje, parece que nada mudou.
A mesma ansiedade me invade quando a data se aproxima e a mesma emoção toma conta de mim, por todo o dia. Lá está ela, em pano de fundo participando de minhas tarefas diárias, como se comigo ainda estivesse fisicamente.
O tipo de ansiedade parece ter mudado.
Antes, o contato com os irmãos nos dava sinais de como preparar a festa, quem estaria presente, que tipo de comestíveis serviríamos e qual o presente mais adequado às suas necessidades naquele momento.
Lembro que o telefone de casa não parava de tocar, sempre um ou outro da família antecipava seus preparativos - sim, porque cada um concorria com o outro a maneira mais carinhosa de satisfazê-la.
Nunca dizíamos uma para a outra toda a verdade a respeito e sempre, na hora da festa, cada uma tinha sua surpresa reservada.
Hoje, a ansiedade é outra, movida a saudade, movida a lembranças, boas ou não, mas como crianças ainda temos guardado no peito aquele frizon de antes, quando sem muito dinheiro, com míseros trocados de uma mesada diminuta,ao sair da escola, percorríamos
todas as galerias da Lojas Americanas e de lá saíamos com um cinzeiro novo, ou um porta-copos, ou qualquer coisa simples que pudesse representar o nosso grande amor por ela.
Feliz aniversário, minha mãe, esteja onde estiver!
(Adir Vieira - 18/09/10)
Fonte da imagem:sol.sapo.pt

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A CASA (Olavo Bilac)


Vê como as aves tem, debaixo d'asa,
O filho implume, no calor do ninho!...
Deves amar, criança, a tua casa!
Ama o calor do maternal carinho!
Dentro da casa em que nasceste és tudo...
Como tudo é feliz, no fim do dia,
Quando voltas das aulas e do estudo!
Volta, quando tu voltas, a alegria!
Aqui deves entrar como num templo,
Com a alma pura, e o coração sem susto:
Aqui recebes da Virtude o exemplo,
Aqui aprendes a ser meigo e justo.
Ama esta casa! Pede a Deus que a guarde,
Pede a Deus que a proteja eternamente!
Porque talvez, em lágrimas, mais tarde,
Te vejas, triste, desta casa ausente...
E, já homem, já velho e fatigado,
Te lembras da casa que perdeste,
E hás de chorar, lembrando o teu passado...
- Ama, criança, a casa em que nasceste!

Fonte da imagem:euvcejesus.blogspot.com

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A segunda via do Título de Eleitor



Desde 1992, quando fui assaltada na porta de minha casa e me levaram carro, pertences e todos os documentos, não tirei a segunda via do título de eleitor.
A possibilidade de votar com a apresentação de qualquer documento com foto, também fez com que eu não me apressasse para obtê-lo e com isso, o tempo foi passando.
Acho que não providenciei de pronto tal documento, para assegurar minha revolta quanto a segurança nesse nosso país.
Hoje, tantos anos depois, vivemos o caos, nesse aspecto.
Mas não era esse o tema desse meu post - segurança -. Meu tema é a segunda via do Título de Eleitor.
Pois é, agora não dá mais ficar sem o título, pois além desse documento devemos apresentar um outro com foto.
Por essa razão, considerando que o prazo para providenciá-lo expira no próximo dia 23, rumei hoje cedo para a Zona Eleitoral mais próxima de minha residência.
Acreditem que abriram o local, pontualmente, no horário determinado e lá dentro, não demorei mais do que cinco minutos, saindo com o Título de Eleitor em mãos, embora a fila já estivesse se formando e na minha frente já houvessem quinze pessoas.
Queria comentar aqui, como a eficiência de um Órgão Público quando lhe apraz, surge das nuvens.
Como são atenciosos, prestativos, rápidos, próximo de uma eleição.
E lembrar que já havia tentado antes por duas vezes, mas a burocracia era tanta, que desisti.
Por que não temos em outras áreas, a da Saúde por exemplo, procedimentos tão eficazes como esse do Tribunal Regional Eleitoral próximo às eleições para Presidente?
Acredito que seja uma boa pergunta. Só não sei se teremos resposta.
(Adir Vieira - 16/09/2010)
Fonte da imagem: blogdolatinha.blogspot.com

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Plutão (olavo Bilac)


Negro, com os olhos em brasa,
Bom, fiel e brincalhão,
Era a alegria da casa
O corajoso Plutão.
Fortíssimo, ágil no salto,
Era o terror dos caminhos,
E duas vezes mais alto
Do que o seu dono Carlinhos.
Jamais à casa chegara
Nem a sombra de um ladrão;
Pois fazia medo a cara
Do destemido Plutão.
Dormia durante o dia,
Mas, quando a noite chegava,
Junto à porta se estendia,
Montando guarda ficava.
Porém Carlinhos, rolando
Com ele às tontas no chão,
Nunca saía chorando
Mordido pelo Plutão . . .
Plutão velava-lhe o sono,
Seguia-o quando acordado:
O seu pequenino dono
Era todo o seu cuidado.
Um dia caíu doente
Carlinhos . . . Junto ao colchão
Vivia constantemente
Triste e abatido, o Plutão.
Vieram muitos doutores,
Em vão. Toda a casa aflita,
Era uma casa de dores,
Era uma casa maldita.
Morreu Carlinhos . . . A um canto,
Gania e ladrava o cão;
E tinha os olhos em pranto,
Como um homem, o Plutão.
Depois, seguiu o menino,
Seguiu-o calado e sério;
Quis ter o mesmo destino:
Não saíu do cemitério.
Foram um dia à procura
Dele. E, esticado no chão,
Junto de uma sepultura,
Acharam morto o Plutão.

Fonte da imagem:laurabmartins02.blogs.sapo.pt

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O tapete novo...


Sair às compras,
nem sempre é legal,
principalmente se não se tem
um pouquinho que seja pra' se gastar...
Mas não se preocupe...
os cartões facilitam,
os vendedores apelam...
e no final, sempre, sempre,
haverá o que carregar...
Mas mesmo que saiba
o que quer pra você,
sem dúvida trará
algo sem escolher...
São tantos os artigos...
são tantas as opções...
que você se confunde
e só lá em casa,
vai saber que errou...
É assim comigo...
e mesmo depois de cansar
o pobre vendedor que sorri
a me acompanhar
nas trocas e destrocas
do mesmo artigo,
tenho a certeza de que não me agradou...
É tudo tão frágil, tão sem imponência
que não se compara à antiga decoração...
Mas o que fazer se as coisas estragam
se o tempo maltrata
e se mesmo sem querer, temos que trocar...
E lá se foi meu tapete
que por anos a fio, agasalhou meus pés
e harmonizou a sala com brio...
Hoje enfim, chegou outro
querendo o lugar,
mas parece tão estranho
querendo se ambientar...
A cortina , as almofadas,
mesmo a cor dos móveis
parece com ele brigar...
Mas creio que não...
sei que está perfeito...
deve ser a saudade
batendo em meu peito...
(Adir Vieira - 14/09/10)
Fonte da imagem:rainhasdolar.com

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O verbo amar (J.G. de Araujo Jorge)


Odeio aquelas almas onde encontro escrita
uma história que um outro antes de mim viveu...
Dentro de um grande amor, o amor-próprio se irrita
encontrando um romance que não seja o seu ...
Quero uma alma que seja inteiramente pura,
simples, e onde não haja escrita uma só linha,
onde possa ir deixar um poema de ventura
aquela que procuro e que há de ser só minha...
Quero um amor de egoísta todo meu, inteiro,
que não traga um vestígio de afeição sequer...
- se para ele eu não for o seu sonho primeiro
desde já renuncio a outro lugar qualquer...
Somente assim desejo e quero ser amado
e um grande amor somente assim posso sentir...
- hei de ser seu presente... hei de ser seu passado
e a esperança feliz que doure o seu porvir...
Para um perfeito ideal... para encher a minha vida
ser toda a minha crença em meu viver de ateu,
não quero a alma que foi por outro amor possuída
nem quero aquele amor que um dia não foi meu!
Quero o amor em botão... fechado, pequenino,
e ao calor do meu beijo há de florir então,
- para ser a razão do meu próprio destino
e a grandeza imortal da minha inspiração!...
Fonte da imagem:anjinhoecompanhia.blogs.sapo.pt

domingo, 12 de setembro de 2010

Felicidade (Fernando Pessoa)


Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
Apesar de todos os desafios,
Incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
E se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
Mas ser capaz de encontrar um oásis
No recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica,
Mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou
Construir um castelo ...

Fonte da imagem: psicologianaatualidade.blogspot.com

sábado, 11 de setembro de 2010

A gatinha e os estudos



Rosada, olhinhos brilhando,

sorriso ainda tímido

é assim ao chegar...

Tenta adivinhar o que tem pro almoço

digo jiló, só pra atentar...

É assim que ela vem,

olhar distraido,

tramando outras coisas

menos estudar...

São tantos os preparos

para o dia seguinte

e logo vem a noite

tendo que descansar.

Não há tempo para nada

que não envolva estudos

e vai indo a vida, a deixar pra trás...

Que tempo difícil é esse de agora

são tantas matérias,

mesmo no fundamental...

Já fico pensando daqui mais pra frente,

se haverá tempo para se coçar.

(Adir Vieira - setembro de 2009)

Fonte da imagem: cartoonsmariana.blogspot.com

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A nação precisa do trabalho de todos...


Pensamento de 1931 !!!
Este pensamento é antigo, mas muito apropriado no momento politico em que vivemos atualmente.
O pensamento abaixo foi ESCRITO POR ADRIAN ROGERS NO ANO DE 1931 !!!

"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade.
Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber.
O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém.
Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.
É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."
Adrian Rogers, 1931

- Faça circular essa verdade ...
Fonte da imagem:blogdaunr.blogspot.com

Querer e poder



Hoje, consegui sentir o tamanho exato de minha impotência.
Pergunto-me por onde andará aquela alma poderosa que habitou meu corpo durante tanto tempo e que não via impossibilidades quaisquer no exercício de viver.
Durante boa parte da vida sempre a disposição dos menos favorecidos pela sorte ou mesmo daqueles que angustiados estavam, nas épocas em que a total disponibilidade fazia-a feliz por simplesmente poder, hoje essa mesma alma tem fronteiras pré-estabelecidas exatamente pela sua falta de poder.
E por isso, sofre...
E por isso, não consegue entender porque uma vida bem estruturada no seu desenrolar, tem que experimentar outras facetas tão sem estrutura.
Será que virá daí a tão falada necessidade de crescer vivendo os dois lados –positivo e negativo? Será que a vida nos dá coisas boas, mas cobra o seu preço?
Se assim for, qual o motivo da preparação e do cuidado sem limites para fugirmos de viver o lado negativo?
Ah! Vida!

Adir Vieira – 09/09/10
Fonte da imagem:controle-economico.blogspot.com

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Os pobres (OLAVO BILAC)


"Aí vêm pelos caminhos,
Descalços, de pés no chão,
Os pobres que andam sozinhos,
Implorando compaixão.
Vivem sem cama e sem teto,
Na fome e na solidão:
Pedem um pouco de afeto,
Pedem um pouco de pão.
São tímidos? São covardes?
Têm pejo? Têm confusão?
Parai quando os encontrardes,
E dai-lhes a vossa mão!
Guiai-lhe os tristes passos!
Dai-lhes, sem hesitação,
O apoio do vossos braços,
Metade de vosso pão!
Não receieis que, algum dia,
Vos assalte a ingratidão:
O prêmio está na alegria
Que tereis no coração.
Protegei os desgraçados,
Órfãos de toda a afeição:
E sereis abençoados
Por um pedaço de pão . . . "

Fonte da imagem:literesinapoetica.blogspot.com

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Hoje é sete de setembro



Lembro que nos meus tempos de escola, hoje era um dia por demais importante.
Semanas antes as escolas, sem exceção, públicas e privadas, preparavam seus alunos com aulas de civilidade e amor à pátria.
Treinavam marchas e respeito à bandeira, enaltecendo o dia da nossa Independência.
Era com muito orgulho e expectativa que estávamos todos passeando pelas ruas, exibindo uniformes engomados e perfeitamente limpos. Os meninos de cabelos cortados e as meninas bem penteadas e de unhas feitas, faziam daquele ritual um dia por demais lembrado.
É uma pena que hoje, tenhamos perdido tanto. O sete de setembro é apenas mais um feriado em que as famílias se programam para um dia na praia ou no campo.
O que será que isso significa?
Fonte da imagem: moraisvinna.blogspot.com

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Cadê meu sono?


A noite de domingo após o término do "Fantástico", me marcou para sempre. Hoje tive essa certeza.
Há tempos, se eu parar para me observar, sou capaz de sentir aquele mesmo desalento de quem sabia que o final de semana era "finito".
Sinto aquela mesma sensação de desconforto de quem sonolento ou não, sabe que no dia seguinte às 06 horas da manhã, deverá estar de pé e perfeitamente acordado.
Mas como pode isso, se não tenho mais esse dever?
Hoje reparei que só por pensar a respeito, perdi o sono. Meu sono é assim - engata a primeira e vai...
Se não consigo dormir logo, rolo e rolo na cama e por fim, após várias tentativas, recolho-me a outro canto da casa e vou ler ou ficar como agora, escrevendo esse post.
A madrugada me assusta com a sua calmaria. Parece que ninguém sequer respira. Um ruido ou outro, ao longe, de um cachorro que late ou alguém que tosse. Barulho de carro não se escuta, a não ser de um ou outro que aciona o portão automático e tranca o motor com cuidado.
Felizmente meu marido dorme a sono solto, seu soninho de criança... e não se deu conta de que eu pulei da cama.
Sei que o sono não virá a não ser lá pelas cinco horas da manhã, quando o cansaço me vencer. Até amanhã...
(Adir Vieira - 06/09/10)
Fonte da imagem: osdezmais.com

domingo, 5 de setembro de 2010

Antiguidades (Cora Coralina)


Quando eu era menina
bem pequena,
em nossa casa,
certos dias da semana
se fazia um bolo,
assado na panela
com um testo de borralho em cima.
Era um bolo econômico,
como tudo, antigamente.
Pesado, grosso, pastoso.
(Por sinal que muito ruim.)
Eu era menina em crescimento.
Gulosa,
abria os olhos para aquele bolo
que me parecia tão bom
e tão gostoso.
A gente mandona lá de casa
cortava aquele bolo
com importância.
Com atenção. Seriamente.
Eu presente.
Com vontade de comer o bolo todo.
Era só olhos e boca e desejo
daquele bolo inteiro.
Minha irmã mais velha
governava. Regrava.
Me dava uma fatia,
tão fina, tão delgada...
E fatias iguais às outras manas.
E que ninguém pedisse mais !
E o bolo inteiro,
quase intangível,
se guardava bem guardado,
com cuidado,
num armário, alto, fechado,
impossível.
Era aquilo, uma coisa de respeito.
Não pra ser comido
assim, sem mais nem menos.
Destinava-se às visitas da noite,
certas ou imprevistas.
Detestadas da meninada.
Criança, no meu tempo de criança,
não valia mesmo nada.
A gente grande da casa
usava e abusava
de pretensos direitos
de educação.
Por dá-cá-aquela-palha,
ralhos e beliscão.
Palmatória e chineladas
não faltavam.
Quando não,
sentada no canto de castigo
fazendo trancinhas,
amarrando abrolhos.
"Tomando propósito".
Expressão muito corrente e pedagógica.
Aquela gente antiga,
passadiça, era assim:
severa, ralhadeira.
Não poupava as crianças.
Mas, as visitas...
- Valha-me Deus !...
As visitas...
Como eram queridas,
recebidas, estimadas,
conceituadas, agradadas!
Era gente superenjoada.
Solene, empertigada.
De velhas conversas
que davam sono.
Antiguidades...
Até os nomes, que não se percam:
D. Aninha com Seu Quinquim.
D. Milécia, sempre às voltas
com receitas de bolo, assuntos
de licores e pudins.
D. Benedita com sua filha Lili.
D. Benedita - alta, magrinha.
Lili - baixota, gordinha.
Puxava de uma perna e fazia crochê.
E, diziam dela línguas viperinas:
"- Lili é a bengala de D. Benedita".
Mestre Quina, D. Luisalves,
Saninha de Bili, Sá Mônica.
Gente do Cônego Padre Pio.
D. Joaquina Amâncio...
Dessa então me lembro bem.
Era amiga do peito de minha bisavó.
Aparecia em nossa casa
quando o relógio dos frades
tinha já marcado 9 horas
e a corneta do quartel, tocado silêncio.
E só se ia quando o galo cantava.
O pessoal da casa,
como era de bom-tom,
se revezava fazendo sala.
Rendidos de sono, davam o fora.
No fim, só ficava mesmo, firme,
minha bisavó.
D. Joaquina era uma velha
grossa, rombuda, aparatosa.
Esquisita.
Demorona.
Cega de um olho.
Gostava de flores e de vestido novo.
Tinha seu dinheiro de contado.
Grossas contas de ouro
no pescoço.
Anéis pelos dedos.
Bichas nas orelhas.
Pitava na palha.
Cheirava rapé.
E era de Paracatu.
O sobrinho que a acompanhava,
enquanto a tia conversava
contando "causos" infindáveis,
dormia estirado
no banco da varanda.
Eu fazia força de ficar acordada
esperando a descida certa
do bolo
encerrado no armário alto.
E quando este aparecia,
vencida pelo sono já dormia.
E sonhava com o imenso armário
cheio de grandes bolos
ao meu alcance.
De manhã cedo
quando acordava,
estremunhada,
com a boca amarga,
- ai de mim -
via com tristeza,
sobre a mesa:
xícaras sujas de café,
pontas queimadas de cigarro.
O prato vazio, onde esteve o bolo,
e um cheiro enjoado de rapé.

Fonte da imagem:nosso-tesouro.blogspot.com

sábado, 4 de setembro de 2010

Razões para dormir e despertar cedo...


Das 21 às 23:00: É o horário em que o corpo realiza atividades de eliminação, químicos desnecessários e tóxicos (desintoxicação), mediante o sistema linfático do nosso corpo. Neste horário do dia devemos estar num estado de relaxamento, escutando música, por exemplo.
Geralmente a estas horas mamães realizam atividades, tais como, limpar a cozinha, monitorar que tudo esteja pronto para o dia seguinte, etc., atividades que causam falta de relaxamento, o que gera um efeito negativo para a saúde.

Das 23 - 01:00am:
o corpo realiza o processo de desintoxicação do fígado, e idealmente deve ser processado num estado de sono profundo.

Durante as primeiras horas da manhã 1:00 - 3:00:
processo de desintoxicação da vesícula biliar, idealmente deve suceder também num estado de sono profundo.
De madrugada 3:00 - 5:00:
desintoxicação dos pulmões. É por isso que por vezes neste horário se produzem fortes acessos de tosse. Quando o processo de desintoxicação atinge o trato respiratório, é melhor não tomar medicamentos para a tosse, já que interferem no processo de eliminação de toxinas.

Manhã 5:00 - 7:00:
desintoxicação do cólon. É o horário de ir ao banheiro para esvaziar o intestino.

Durante a Manhã de 7:00 - 9:00:
absorção de nutrientes no intestino delgado. É o horário perfeito para tomar o café da manhã. Se estiver doente o café da manhã deve ser tomado mais cedo: antes das 6:30 am.
A primeira refeição antes das 7:30am
é benéfica para aqueles que querem manter-se em forma.
Os que não têm por hábito alimentar-se logo cedo, devem tentar mudar o hábito, sendo menos prejudicial realizá-lo entre as 9:00 e as 10:00 em vez de ficar a manhã completa sem comer.
Dormir tarde e despertar tarde interromperá o processo de desintoxicação de químicos desnecessários ao seu organismo. Além disso, você deve ter em conta
que das 00:00 às 4:00 am
é o horário em que a medula óssea está produzindo sangue. Então, procure dormir bem e não deitar tarde.
CUIDE DA SUA SAÚDE!
Fonte da imagem:nutribrazil.com

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Humildade (Cora Coralina)


"Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi.
Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.
Dai, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.
Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.”
Fonte da imagem: br.olhares.com

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Primavera


Logo, logo, estará aí a primavera e hoje, lembrei-me desse belo poema de Olavo Bilac, para dividir com vocês.
"Ah! quem nos dera que isso, como outrora,
inda nos comovesse! Ah! quem nos dera
que inda juntos pudessemos agora
ver o desabrochar da primavera!
Saíamos com os passaros e a aurora,
e, no chão, sobre os troncos cheios de hera,
sentavas-te sorrindo, de hora em hora:
"Beijemo-nos! amemo-nos! espera!"
E esse corpo de rosa recendia,
e aos meus beijos de fogo palpitava,
alquebrado de amor e de cansaco....
A alma da terra gorjeava e ria...
Nascia a primavera...E eu te levava,
primavera de carne, pelo braço! "

Fonte da imagem: culturalivre.net

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A pré-adolescência


Nada melhor para nos instruir sobre a vida do que observar um grupo de pré-adolescentes conversando.
Parece que a vida flui sem freios a despertar a ânsia de cada qual se mostrar tal qual são ou pensam ser.
Lições de vida, várias, nós, já em idade madura, podemos aprender com verdadeira facilidade.
Se os fazedores de compêndios se dispusessem a dedicar poucas horas de sua vida nessa observação para retratá-la num pequeno livro, sem dúvida, prestariam um grande favor à humanidade inteira. A veracidade de suas descobertas instruiriam e educariam muito mais do que as novelas de TV e as notícias de jornais.
Nesses pequenos grupos podemos definir a vaidade, a inveja, a boa índole, a complascência e sobretudo a amizade nua e crua.
Nesse momento da vida em que as antes crianças, agora, quase adolescentes não economizam palavras nem precisam esconder sentimentos, tudo vem à tona, cheio de inocência.
Bela fase da vida, para nunca se esquecer.
(Adir Vieira - 01/09/10)
Fonte da imagem:blueorange.pt