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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Falando de mulheres...



Esse é mais um texto que recebi por e-mail e divido com vocês.


Por que para os homens as mulheres são umas bruxas!?


Porque chegam no fim do mês fazendo mágica com o dinheiro.
Porque estão ao mesmo tempo em vários lugares: lavando, passando, servindo a mesa, fazendo comida, cuidando de tudo!
Porque são capazes de se transformar em cobra, apenas com a olhada naquela loira que o seu namorado ou marido deu…
Porque podem ir voando até o lugar onde são necessárias.

Porque se comunicam com os animais (Homens?) falando no idioma do amor.
Porque pressentem quando um amigo necessita de seus conselhos.
Porque praticam a telepatia, adivinhando os pensamentos daqueles a quem amam sem necessitar de palavras para traduzir.
Porque são várias pessoas em um só corpo: filha, irmã, esposa, mãe, amante, companheira e amiga!

Porque possuem o dom de adiantar-se aos acontecimentos só por intuição!
Porque mágicamente são ambíguas: suaves como a seda mas com o interior de diamante.
E AINDA TEM HOMEM POR AÍ QUE SE ACHA O MÁXIMO!!!

Fonte da imagem: imagensporfavor.com

domingo, 30 de maio de 2010


Ontem, encontrei na Internet, enviado por uma grande amiga, esse maravilhoso texto que não posso deixar de dividir com vocês, de autoria da Equipe de Redação do Momento Espírita, inspirada em mensagem de Rubens Costa Romanelli, em frases do livro Momentos de Meditação, ed. LEAL, e no cap. 178 do livro Minutos de Sabedoria, ed. Vozes.
Resista Um Pouco Mais...

Há dias em que temos a sensação de que chegamos ao fim da linha.
Não conseguimos vislumbrar uma saída viável para os problemas que surgem em grande quantidade.
Com você não é diferente. Você também faz parte deste mundo cheio de provas e expiações. Desta escola chamada terra.
E já deve ter passado por um desses dias, e pensado em desistir...
No entanto vale a pena resistir...
Resista um pouco mais, mesmo que as feridas latejem e que a sua coragem esteja cochilando.
Resista mais um minuto e será fácil resistir aos demais.
Resista mais um instante, mesmo que a derrota seja um ímã... Mesmo que a desilusão caminhe em sua direção.
Resista mais um pouco mesmo que os pessimistas digam para você parar... mesmo que sua esperança esteja no fim.
Resista mais um momento mesmo que você não possa avistar, ainda, a linha de chegada... mesmo que a insegurança brinque de roda a sua volta.
Resista um pouco mais, ainda que a sua vida esteja sendo pesada na balança dos insensatos, e você se sinta indefeso como um pássaro de asas quebradas.
As dores, por mais amargas, passam...
Tudo passa...
A ilusão fascina, mas se desvanece...
A posse agrada, porém se transfere de mãos...
O poder apaixona, entretanto, transita de pessoa.
O prazer alegra, todavia é efêmero.
A glória terrestre exalta e desaparece.
O triunfador de hoje, passa, mais tarde, vencido...
Tudo, nesta vida, tem um propósito...
A dor aflige, mas também passa.
A carência aturde, porém, um dia se preenche.
A debilidade física deprime, todavia, liberta das paixões.
O silêncio que entristece, leva à meditação que felicita.
A submissão aflige, entretanto fortalece o caráter.
O fracasso espezinha, ao mesmo tempo ensina o homem a conquistar-se.
A situação muda, como mudam as estações...
O verão brinca de esconde-esconde com a brisa morna, mas cede lugar ao outono, que espalha suas tintas sobre a folhagem. O inverno chega e, sem pedir licença, congela a brisa e derruba as folhas.
Tudo parece sem vida, sem cor, sem perfume...
Será o fim? Não! Eis que surge a primavera e estende seus tapetes multicoloridos, espalhando perfume no ar e reverdecendo novamente a paisagem...
Assim, quando as provas lhe baterem à porta, não se deixe levar pelo desejo de desistir... resista um pouco mais.
Resista, porque o último instante da madrugada é sempre aquele que puxa a manhã pelo braço...
E essa manhã bonita, ensolarada, sem algemas, nascerá para você em breve, desde que você resista.
Resista, porque alguém que o ama está sentado na arquibancada do tempo, torcendo muito para que você vença e ganhe o troféu que tanto deseja: a felicidade...
.....................................
Não se deixe abater pela tristeza.
Todas as dores terminam.
Aguarde que o tempo, com suas mãos cheias de bálsamo, traga o alívio.
A ação do tempo é infalível, e nos guia suavemente pelo caminho certo, aliviando nossas dores, assim como a brisa leve abranda o calor do verão.
Mais depressa do que supõe, você terá a resposta, na consolação de que necessita.
Por tudo isso, resista... e confie nesse abençoado aliado chamado tempo.
Fonte da imagem: br.olhares.com

sábado, 29 de maio de 2010

A força do hábito


Habituada estou com você.

Habituada.

Preciso ter momentos assim, longe de sua presença, duas ou três horas que sejam, para vivenciar, como agora, a saudade de você.

Rodeio-me de livros, amigos, bons papos e, em paralelo, é o seu rosto que vejo, são suas frases ditas assim, sem pensar, são seus olhos me olhando como na primeira vez…

Coisas tão presentes em nossa vida que nos fazem ficar, desse jeito, habituados, e sem a elas dar o valor real…

Fonte da imagem: www.kboing.com.br

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A promessa do dia


Acordo e, ao olhar o céu, percebo que o dia vai ser fechado, sombrio, escuro…O sol, com preguiça, não dá mostras de quem quer aparecer por aqui.Pedaços do céu, ora azulados, ora de cor cinza, me deixa em dúvida sobre o que fazer.Coloco minha roupa de banho e desço para a piscina ou, com meu novo guarda-chuva, arrisco uma ida ao shopping para sentir a nova moda do verão?O que diz meu ânimo, então?Sinto que somos movidos pelo tempo, pela adequação à sociedade e nunca mesmo pela nossa inteira vontade. Quando optamos pela piscina, o fazemos porque o verão nos leva até lá. Quando optamos pela ida ao shopping também o fazemos porque as férias logo acabarão e aí não teremos mais tempo de andar sem rumo dentro de um shopping pela manhã.Mas e o nosso ânimo? O que ele nos diz?Não prestamos atenção aos seus sinais. Por vezes, ele não quer nos deixar sequer ir em frente – a cama ainda será o melhor lugar -, por outras, os passeios seriam diferentes – percorrer de carruagem as ruas calmas de Paquetá, tão distante daqui – por outras, ainda, visitar amigos distantes, sem mesmo ter a preocupação de poder não encontrá-los…E mais uma vez, pergunto: o que faria o nosso ânimo, a nossa vontade?

Fonte da imagem: www.cidadaopg.sp.gov.br

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Meu tipo inesquecível


Hoje falei, por telefone, com meu tipo inesquecível. Lembrei-me da minha infância e de sua presença constante em minha vida.Devia ter uns trinta e cinco anos. Era mãe de dois meninos, um da minha idade e o outro da idade de uma das minhas irmãs. Sabíamos que ela e o marido não se davam muito bem. Ouvíamos com relativa freqüência suas brigas conjugais. Era nossa vizinha do lado direito. Tinha uma alegria permanente, apesar dos problemas. Não me lembro de nunca tê-la visto verdadeiramente triste. Era isso o que me fascinava! Gostava de vestes coloridas e nunca esquecia o batom e o pó compacto. No bairro, tinha fama de namoradeira, pois era jovem e bonita, diferente das mães da rua que aparentavam um semblante mais responsável, de acordo com a época.Eu e minhas irmãs a admirávamos, visto que sua felicidade aparente e seu porte de moça descompromissada com a vida nada tinha a ver com seus constantes votos pra tudo e pra todos de – vá com Deus!, que Deus te crie!, que Deus te proteja e te guarde! – tão próprios das velhinhas beatas do local.Sabia uma imensa coletânea de simpatias e rezas para curar os pequenos males – as frieiras e as erisipelas. Nunca contou como aprendeu o ofício, mas nele acreditávamos piamente e constatávamos seus efeitos em nós mesmos e em quem se permitia experimentá-lo.Apesar de sua fama de irresponsável, minha mãe gostava muito dela, para nossa sorte, e só a ela nos confiava quando, depois de muitos pedidos, concordava em nos deixar acompanhá-la à padaria, à quitanda ou à papelaria, locais próximos de nossa casa. Aquele pequeno percurso que, na maioria das vezes, não durava mais de dez minutos, de mãos dadas com ela, parecia uma eternidade extasiante. Corríamos no seu ritmo, sorríamos com suas brincadeiras, enfim, saboreávamos cada gesto, cada som vindo dela.Lembro-me perfeitamente do dia em que fomos todos juntos assistir à cantora Emilinha Borba numa apresentação no palco montado num caminhão, no Convento que precisava arrecadar fundos. Muitas pessoas lá estavam, parece que todo o bairro havia se deslocado para lá, mas a alegria de nossa grande amiga sobrepujava a de todos.Lembro-me, hoje ainda, já passados quase cinqüenta anos, do brilho do seu olhar, da sua alegria genuína. O dia seguinte, com seus comentários sobre a festa, as canções, o figurino da artista, era melhor ainda. Ninguém conseguia contar uma história e prender tanto nossa atenção daquele jeito. Só ela, meu tipo inesquecível.Ali, ao lado de nossa casa, no parapeito do muro divisório, nas conversas das tardes, nos relatos sobre os problemas de sua família e antepassados, ia lançando mosaicos de aprendizado na nossa formação, inesquecíveis para sempre.Choramos quando, depois da separação do marido, precisou se ausentar por dois anos. Sofremos por ela quando ficou longe dos dois filhos para garantir a pensão alimentícia. Na sua volta, vibramos.E, assim, foi seguindo a vida. Crescemos e vimos seus filhos crescerem. Na luta pela sobrevivência criava artesanatos variados, todos voltados para a espiritualidade. Quantas colchas de retalhos e quantos panos de crochet multicoloridos nos exibia com orgulho…Há alguns anos, adoeceu brabo. O fumo acirrado deu-lhe de presente um enfisema incurável. Já nessa época tivemos a certeza de que a morte do filho mais velho, vitimado de câncer no pulmão, em muito havia contribuído para que sua doença se alastrasse. Necessitou de novos ares e com muita tristeza, mais uma vez, sentimos essa separação. Embora já estivéssemos casadas e fisicamente longe dela, com a venda da casa e sua saída definitiva, parecia que um cordão crucial de nossas vidas havia sido rompido.Hoje, distante, ainda doente, sem grandes possibilidades, já conta com mais de oitenta anos, conserva a alegria - sua eterna companheira - e a fé inabalável na vida, a certeza de que tudo é o que tem que ser.Como eu ia dizendo, hoje falei com ela por uns longos dez minutos e, como sempre, meu coração se encheu de fé e esperança.
Fonte da imagem:www.gfpessegueiro.com

terça-feira, 25 de maio de 2010

Sob seu domínio


Vejo-me presa às suas vontades, obediente ao seu mando, pronta a realizar seus mínimos desejos, indagando aqui e ali, tentando descobrir antes dele mesmo o que o fará feliz. Se meu desejo é mais forte, mas a ele atemoriza, estou pronta a contemporizar, para que nada o desagrade. Vivo em busca da sua satisfação, de adivinhar suas emoções positivas, de fabricá-las mesmo, em outros momentos, nem que seja para vê-lo um segundo em paz. Hoje sou seu domínio, robotizada e atenta ao seu comando. Tento em remotas vezes voltar ao que eu era, mas não consigo me reconhecer além dele, além do que me permite ou autoriza que eu faça. E o estranho de tudo isso é que nada, absolutamente nada, me faz mais completa do que viver para ser seu domínio.

Fonte da imagem:www.overmundo.com.br

domingo, 23 de maio de 2010

A indecisão


Preparo-me para uma recepção de formatura.Meu traje tem que ser bonito, único e adequado.Posto-me diante do guarda-roupas para resolver a questão.Pés, mãos, cabelos já foram preparados para a ocasião e não deixaram dúvidas quanto ao estilo.No entanto, o traje, sapatos e bolsas, são a questão principal.Peças e mais peças são provadas por mim. Faço maratona diante do espelho para definir o que combinar com os sapatos vermelhos de salto agulha.O vestido longo, preto, tem pedras cor de mel na faixa da cintura e não cai bem com os sapatos abertos na gáspia. Escolho então a túnica bege com calças tipo pantalona, em tecido de festa e acho que acertei. No entanto os sapatos vermelhos destoam dos frisos marrons na borda inferior da túnica.Após várias outras tentativas, decido-me enfim pela peça única em branco e para combinar com os sapatos vermelhos, orno-a com um cordão comprido e dourado com duas pedras vermelhas na ponta. Olho-me e confirmo que encontrei o modelo acertado.Reparo que a cadeira ao lado está repleta de roupas a serem guardadas e, enfadonhada, lembro-me de outrora, quando não tinha escolhas e era bem mais feliz..

Fonte da imagem:bymarimolina.blogspot.com

sábado, 22 de maio de 2010

O jardim


O que há de mais belo onde moro é o jardim.

O estranho é que apesar de belo, não tem flores.

São folhagens circundando toda a área do pátio.

De todos os tipos, verdejantes, entremeadas aqui e ali por outras folhagens vermelhas.

Formam, em sua imponência, verdadeiros pequenos arbustos.

Desconheço os nomes das plantas, mas todas as vezes em que aqui estou, comparo-as aos meus sentimentos em relação à vida – completos na essência, fracos a qualquer pequena ventania, íntegros no jeito em que se posicionam e esperançosos de alcançar a paz no crescimento vertical dos galhos.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Minha música


Minha música é como eu: calma, em alguns momentos, quase inaudível mesmo, nos dias em que me sinto triste…É rápida, cheia de ritmos diversos e extremamente barulhenta, quando me sinto feliz.Nunca nada se aplicou tão bem a mim, como o “danço conforme a música”. Para mim esse ditado é aplicado, sem constrangimentos.Parece mesmo que me movimento pelos sons, sou uma caixa acústica ambulante.Pensando nisso, relembro meus tempos de adolescente, quando vibrava com os programas de calouros apresentados nas rádios.Sou desse tempo em que, sem Internet, a única forma de decorarmos as letras das músicas era ouvindo os calouros e suas diferentes versões para cada uma delas.Aí viajávamos, literalmente. Eu, particularmente, via-me num palco. Um palco branco e brilhante, onde eu era a estrela. Ali, na sala da minha casa, enquanto limpava os móveis e encerava o chão, só eu reinava aos gritos de bis da platéia, aquela imaginária, que me transformava em estrela singular, como as famosas da época.Sempre foi assim. Música para rir, música para chorar, música para emocionar e eu na cadência do seu ritmo, sempre em compasso com o vibrar da minha alma.Letras de músicas antigas, então, são várias as que me vejo cantando, mesmo sem ouvi-las há séculos.Minha música… qual seria?Acho que não a tenho… procuro em pensamento e não acho… nenhuma em especial… mas todas as que me embalem a alma e mexam com a minha emoção, verdadeiramente.

Fonte da imagem: osmeuslimites.blogs.sapo.pt

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Coitado do meu estômago


Cuido para que a cada dia
Meu jantar seja perfeito
Dele isolo as gorduras
Atenta aos ingredientes...
Como alface, chuchu e vagem,
Arroz com tomate e só,
Viso não ter meu estômago,
Reclamando quiprocós..
Enquanto como, visualizo
Não meu prato ali, de verde,
Mas um baita sanduíche
De três camadas com aliche...
Vou me deliciando com o creme
Mostarda, pimenta e ketchup,
Um patê bem variado, incrementando
Tal peixe.
Do pão, não preciso falar, tem que redondo ser,
Alto, fofo, bem clarinho,
Para eu ter muito prazer.
Sobremesa nem se fala,
Mas dei um jeito para tal
Coloquei no mesmo prato
Balas de coco artesanais.
Embora essas delícias só dançassem
No pensamento, meu estômago,
Coitado, aprontou e ficou doente.

Fonte da imagem: boasaude.uol.com.br

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Meditando para que serve um Plano de Saúde, na sala de espera de um consultório médico


Um grande e comprido corredor nos levava a sala de espera.
Era uma sala retangular e nas paredes entrecortadas pelas portas de cinco especialidades – ginecologia, cardiologia,clínica médica,oftalmologia e endocrinologia – duas fileiras de cadeiras de couro sintético preto, conjuntas em oito, dispunham-se de frente umas para as outras, o que de certa forma, obrigava os pacientes que aguardavam os médicos a se olharem, mesmo sem querer.
Um revisteiro contendo mais folhetos informativos do que, propriamente, revistas, visava entreter os que ali estavam aguardando o chamado, mas de tão velhas, sujas e rasgadas, as poucas revistas, de tanto serem manuseadas mostravam-se desagradáveis ao toque.
Um decalque grande, fixado acima do revisteiro, mostrava um celular e solicitava o seu desligamento no local.
Devido as poucas cadeiras, mais da metade dos pacientes aguardavam em pé, como nós.
De quando em vez, ouvia-se a troca de pernas de alguns, que procuravam naquele desconforto uma forma melhor de posição.
Todos que ali estavam pareciam preocupados e na expectativa da consulta e era difícil distinguir os pacientes para cada sala, embora a diversidade dos consultórios pudesse ajudar nessa adivinhação.
Apenas um dos médicos se utilizava da ajuda da enfermagem para anunciar os pacientes. Considerando que a sala dos enfermeiros ficava em outro corredor, após a saída do paciente atendido, tínhamos que aguardar a vinda da enfermeira que, anunciava um novo paciente. Isto sem dúvida gerava uma morosidade e impedia a desocupação das cadeiras de uma forma mais rápida.
Pelas conversas quase em sussurro notava-se que a maioria tinha marcado seus horários o que não justificava tantas pessoas esperando há tanto tempo.
Se em algumas salas as consultas eram menos demoradas, não ultrapassando mais do que quinze minutos, o consultório da endocrinologia não fazia chamados senão de hora em hora. Estávamos ali, há pelo menos duas horas e meia, já havíamos sido atendidos na cardiologia, sendo o próximo passo a endocrinologia.Faltavam ainda quatro pacientes para essa especialidade, segundo nossa dedução e estimamos pelo menos, mais três horas ali, em pé.
A faixa etária que ali aguardava regulava entre 65 e 80 anos. Várias eram as bengalas de apoio entre as cadeiras e ouvia-se o ressonar de alguns já há algum tempo, o que fazia com que os chamados fossem repetidos por várias vezes. Apesar disso, incapazes fisicamente ou não, ali estavam sozinhos, o que estranhamos sobremaneira.
Nessa altura, ansiávamos por uma cadeira vazia e torcíamos para que as portas se abrissem, devolvendo à rua, pacientes já atendidos.
De repente, dois lugares vagaram e quando num salto só corríamos para elas, uma das portas se abriu e um menino de quatorze anos, acompanhante de sua tia-avó, clamaram pelos lugares, visto que a senhora tinha sido medicado e ali deveria aguardar o efeito do remédio, sob a proteção do garoto que lhe segurava as mãos, acalmando-a todo o tempo.
Continuamos ali, em pé, por mais meia hora, até que fôssemos chamados.
E aí perguntamos – adianta hoje, nesse país, termos planos de saúde e consultas devidamente marcadas?

Fonte da imagem: www.cto.med.br

terça-feira, 18 de maio de 2010

Delírio


É uma pequena padaria.Dessas de bairro pobre, daquelas que, você adivinha, nunca vai se tornar confeitaria.Foi, propositalmente, ali colocada. Ali, bem ao lado de uma escola de adolescentes, os maiores admiradores e consumidores de confeitos e sanduíches (se bem que daqueles bem frugais, pois os requintados vão, à noitinha, no encontro com o “ficante”, buscá-los em qualquer McDonalds ou Girafa’s).É a terceira vez que por ali passo, mas hoje, como se houvesse no ar um ímã e me puxasse, fixo-me próxima ao balcão de pães de todos os tipos. Em pequenas quantidades, devido ao espaço para eles reservado, são de várias qualidades e espremem-se entre si para caberem naquele pequenino balcão aquecido. Até as abelhas, em busca do sabor doce do creme, disputam um lugar ali.Observo que não seguem qualquer regra de marketing e doces com canela e açúcar, misturam-se aos pães salgados cheios de calabresa e queijo ralado, dando um colorido fantástico ao local.A única regra que parecem seguir é a de higiene. A pele bronzeada da balconista sorridente se contrasta com o avental branco, impecavelmente limpo. Uma toalha, igualmente branca, também faz parte do seu adereço e ameaça e indica, aos menos cuidadosos, onde colocar copos já utilizados e guardanapos sujos.Estou ali parada e fascinada, já há algum tempo, e só agora percebo a semelhança dessa padaria com aquela da minha infância. Também lá, os grupinhos da turma lanchavam a cada manhã, no intervalo das aulas.Surpreendentemente, vejo-me, como no passado, isolada em um canto, transportando, só com o olhar, o sabor desejado do pão doce mais bonito para o meu sanduíche caseiro recheado apenas com açúcar.

Fonte da imagem:www.tapera.net

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A barata voadora


O grupo de quatro mulheres e dois rapazes estava ali reunido para uma dinâmica que selecionaria duas pessoas para as vagas na área de vendas.Duas das mulheres deviam ser da mesma idade, ter por volta de cinquenta anos e, aparentemente, mostravam-se dispostas e atuantes pela maneira de vestir e de falar. As outras duas divergiam no trajar e na postura, uma calada e sisuda e a outra apática ao ambiente.Os rapazes deviam ter cerca de trinta anos e um deles, magro, alto, de barba bem feita, andava de um lado para o outro do salão, sob o olhar inquiridor do colega.Todos aguardavam a chegada do orientador.O local, claro e amplo, tinha uma grande mesa central, propositadamente ali colocada para a sessão e várias cadeiras de braços e assentos estofados, na cor amarelo ouro, a circundavam numa relativa distância.Dois janelões totalmente abertos possibilitavam uma temperatura agradável, apesar do clima quente. Por várias vezes a porta de entrada da sala foi aberta pela mesma auxiliar de recursos humanos que, com o intuito de observar os candidatos às vagas, entrava, cumprimentava mecanicamente com a cabeça e dispunha, na mesa de canto, jarras de água e copos descartáveis e lápis, papéis e borrachas.Passaram-se longos vinte minutos e já ia quase anoitecendo quando o orientador adentrou a sala e após as instruções de praxe, iniciou os trabalhos.Em meio às colocações da segunda candidata à questão apresentada, foi que ela, a barata voadora, surgiu. Veio voando, tímida, como a pedir licença e fez seu pouso ali, junto à moça mais nova que, a princípio, foi a única a percebê-la. Mexeu-se na cadeira, fazendo menção de mostrá-la ao rapaz ao lado, próximo que dela estava, mas ele não entendeu sua expressão nem se preocupou em traduzi-la, posto que estava ocupado demais em ouvir a explanação da candidata que se apresentava.A barata, grande que era, cascuda e com asas bordadas de cinza, rastejava de um lado ao outro da sala e a moça mais jovem a acompanhava com os olhos, sem pestanejar, sem se dar conta de que seria a próxima candidata a se apresentar.Nisso, o outro rapaz, o magrinho, a viu, e avesso que era a maus tratos com animais, pediu socorro à senhora mais velha que dava sinais de enjôo ao simples mover da bicha.Até então, os três do grupo que a viram mostraram repulsa, nojo e medo. Era um mover de músculos faciais dos três, num mutismo total para não desviar a atenção das apresentações. Eis que, de repente, a danada colocou-se estrategicamente embaixo da mesa do orientador, vez por outra ensaiando vôos rasos, e ele nem sequer a notou.Nessa altura, enquanto o rapaz magrinho fazia suas explanações, de olho nela, a outra senhora a percebeu. Ato contínuo, começou a despejar suores e palidez exacerbada, chamando a atenção do orientador que atribuiu o fato a um nervosismo natural das pessoas quando em situação de testes. As pernas da senhora batiam-se num compasso nervoso, fazendo com que o tecido de sua saia farfalhasse a cada movimento.Já agora, quatro já a tinham visto e a bicha, altaneira, parecia gozar da importância de ter tantos olhares sob sua mira.O orientador, ocupado nas anotações que fazia sobre os candidatos, subitamente girou a cadeira, pressionando a barata voadora sob seus pés, enquanto os expectadores, em uníssono, lançaram no ar um grito que se espalhou por todo o pátio, lá fora.

Fonte da imagem:br.geocities.com

domingo, 16 de maio de 2010

O domingo frustrante


Decidiu fugir aquele domingo.Desde quinta-feira não pensava em outra coisa. Já tinha feito a mala e como o tempo prometia sol, não poderia esquecer os shorts brancos e as sandálias vermelhas. Levaria também a bolsa de palha, meio desconexa do traje, mas inseparável e necessária para abrigar todos os pertences de mão de que precisaria dispor.Não queria contar ainda a ninguém sua decisão de fugir, afinal, seriam apenas dois dias fora e tudo parecia estar em ordem para a sua estratégia. Apenas sua amiga íntima que concordara em tomar conta do Príncipe, seu cachorrinho, sabia e ficara feliz por ela. Trabalhava tanto, coitada, e rara era a ocasião em que sentia essa vontade de espairecer.Sábado pela manhã, ao acordar, percebeu seu cãozinho ainda prostrado na caminha azul acolchoada com edredons listrados de verde. Estranhou, porque ele sempre corria ao seu encontro logo que ela saía do quarto. Chamou por ele e ele não se moveu. Assustada, chegou mais perto, chamou mais uma vez e nada.Esqueceu o café, trocou de roupa, embrulhou o cãozinho na toalha limpa e partiu com ele para a garagem. Abriu a porta traseira do carro e acomodou-o ainda sem sentidos no banco de trás, tomando a direção da Veterinária próxima.Apreensiva e nervosa, entregou o cão ao atendente, que a fez esperar uma eternidade pelo veredicto: infecção estomacal. Após três horas na sala de espera, ainda não sabia o que fazer, pois a amiga que havia se disposto a ficar com o Príncipe por certo não o aceitaria doente.O que fazer com as passagens compradas, como cancelar o hotel se dali não podia despregar os pés? Viu o sábado quase todo indo embora. Sentiu um misto de amor e ódio pelo cãozinho que a tirava dos sonhos, naquele exato momento em que precisava tanto. Dirigiu aos Céus aquela série de blasfêmias próprias daqueles que se sentem ultrajados no seu mais ínfimo desejo. O que fazer era a questão, e enquanto buscava mentalmente as soluções, chegou o atendente para dizer que em menos de meia hora o seu Príncipe já poderia retornar ao lar são e salvo.Agora agradeceu aos Céus e aguardou pacientemente, com a certeza de que, enfim, tudo havia se resolvido. Afinal, se fosse rápida, seus planos ainda poderiam se concretizar. Pensou em notificar sua mãe e sua irmã em Friburgo - únicas pessoas a quem devia consideração na vida - do aeroporto mesmo.Eis que surge o atendente com o cão nos braços que, ao vê-la, late sem parar até que ela o acaricie, no que retribui com lambidas doces e espaçadas. No percurso para casa, Príncipe, olhando-a com insistência, pula para o banco da frente do carro, virando e revirando em meio a latidos baixos em forma de soluços, a fim de chamar sua atenção.Quase não consegue abrir a porta de casa com o risco de tropeçar no cãozinho que, esbaforido, corre e pula em seu colo, obrigando-a a sentar-se, como a impedi-la de qualquer ato que não fosse, exclusivamente, cuidar dele.De repente, num suspiro que trouxe do fundo da alma, ela compreendeu que naquele fim de semana, especialmente naquele fim de semana, não poderia deixá-lo à sorte ou em outra companhia que não fosse a dela. E, de pronto, decidiu que com ele permaneceria.Ligou para a amiga falando de sua decisão e desobrigando-a do combinado, e concluiu que este final de semana cuidadosamente programado lá se foi pelos ares.

Fonte da imagem:www.clickmensagens.com.br

sábado, 15 de maio de 2010

A feira de Domingo


Estou a pé, a caminho da casa de uma amiga. Não costumo vir por essas bandas e começo a ouvir, cada vez mais perto, um burburinho de vozes gritando, ao mesmo tempo, coisas diversas. “Olha o tomate, vermelho como boca de moça bonita!” “Senhorita, a maçã está quase de graça...”Conforme me aproximo, vou identificando a feira livre. Sorrio mentalmente enquanto me dou ao luxo de seguir os outros visitantes. Já na entrada identifico as barracas milimetricamente enfileiradas, dando um visual especial com suas lonas multicoloridas. Todos ali clamam à vida. Os que vendem, buscando recuperar, com lucros, o dinheiro empregado na madrugada, na Central de Abastecimentos; e os que compram, adquirir os produtos realmente cuidados e selecionados, concorrentes que são, nas várias barracas que os exibem.Todos ali parecem ter uma alegria evidente e natural quando anunciam seus produtos, angariando a simpatia e a fidelidade de seus clientes habituais. Percebo que as pessoas, de um modo geral, são moradoras do local e já se tornaram quase amigas dos vendedores, tamanha a fluência do discurso entre eles.Estrategicamente dispostas de forma a obterem altos índices de venda, as barracas se agrupam por tipo de produto, dando vez, logo na entrada, às frutas e legumes. Em seguida, as barracas de verduras, várias, até aquelas menos comuns, são organizadas nas bancadas de forma a atrair a atenção dos clientes e dão um ar forte de natureza naquele local de tanto tumulto. Entre carrinhos pequenos de transporte, bolsas de lona grossa colorida, gritinhos de crianças puxadas pela mão por mães e babás vou seguindo, observando tudo.No meio da feira dispõem-se as barracas de roupas leves e artesanatos; mais adiante, para fazer parar toda a gente, uma barraca, com bancos e mesinhas em toda a volta, vende pastéis e salgados com caldo de cana. Penso em experimentar, mas confesso que os cuidados com a higiene não fortificam minha vontade.Vou seguindo e já lá no fundo da feira, duas barracas me chamam a atenção. A de aves é um carrinho com balcão frigorífico e lona em cima e a de peixes tem um enorme latão ao lado com água que serve para lavar os peixes escolhidos, antes do preparo de tirar a cabeça e cortar em postas. Confesso que o odor que vem dali não se coaduna com o início da feira, tão limpo e colorido. Retorno ao início com o intuito de seguir meu destino, quando estaco diante da barraca de abóboras. Estranho não tê-la notado quando por ali passei e percebo que a aglomeração que se forma na frente não deixa mesmo o cliente que nunca ali foi, sequer ter acesso à barraca.São muitas e muitas abóboras gigantes, cuidadosamente arrumadas, dando um visual artístico à barraca.Tomo conhecimento de que o vendedor está no local há décadas, seu produto é confiável e a própria arrumação clama, aos que ali passam, pela compra do produto. São abóboras de todos os tipos, dispostas algumas ainda inteiras e, quando abertas, exibindo a polpa absurdamente vermelha como a lona da barraca. Como anuncia o vendedor sem cessar, servem para doces, sopas ou ensopados, enquanto suas mãos ágeis e espertas manuseiam o facão afiado, descascando e cortando o produto escolhido. Paro e observo que, pela aglomeração que ali se forma, não é necessário técnicas ou estudos para se fazer dinheiro. Como os demais, aguardo minha vez, escolho dois quilos de abóbora baiana de polpa úmida e tomo o meu caminho original, já tendo em mente o doce que vou preparar quando retornar a casa..

Fonte da imagem:desciclo.pedia.ws

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Hoje é dia de pânico


Pelo menos, para mim, é assim, todos os meses, quando eu tenho que ir a um Banco movimentar o famigerado provento da aposentadoria.Às vezes penso se tal pânico vem lá de dentro, do âmago, por não saber como esticar a pequena quantia e cobrir as necessidades básicas ou se vem mesmo da violência atual.No momento em que saio de casa, não me importo com a razão real, prefiro atentar para o que aparece em minha mente, de forma superficial: a violência que assola o país.Chego a apostar que em outra época de minha existência já fui assaltada e espancada, tamanho é o meu pavor nessa situação.Prefiro ir a pé para relaxar enquanto caminho e observo-me no percurso: músculos da face tensos e rígidos, sem se permitirem ao menos um sorriso disfarçado, se encontro um conhecido, as pernas pesam, negando-se a ir em frente e chego a despender o dobro do tempo até o local, mesmo indo apressadamente.O medo me persegue e ao abrir a porta e adentrar o Banco, meus olhos e toda a minha fisionomia demonstram esse medo. Chego a perceber que as pessoas, ao me olharem, mostram surpresa e algumas assimilam meu pavor ficando também assustadas.Vou em busca da senha rezando por obter um número próximo e também para que o sistema não saia do ar até chegar minha vez. Como sempre, observo, da ala em que estou, gente de toda a espécie, de idade avançada. Na minha faixa de idade posso perceber não mais de três pessoas.Inquieto-me porque visualizo aquele velhinho que habitualmente esquece a senha e depois da quinta tentativa entrega seu segredo ao caixa que, encabulado, prossegue no atendimento sob a reclamação dos demais. Vejo também a mesma senhora de lábios agressivamente pintados de vermelho que, na vez anterior, preencheu os trinta minutos de espera contando-me todas as cirurgias que já fez em minúcias e fujo dela, porque no seu único interesse de falar, nem percebeu o meu desagrado no assunto e, por certo, se eu ficar perto, vai repetir a dose.Um pouco mais na frente, uma mãe com olhar sofrido tenta doutrinar a filha, deficiente mental, para que se acalme, enquanto um dos clientes que recebeu um forte chute da menina nas pernas foi se queixar ao gerente.Tudo é tumulto nesse pequeno espaço.No físico e na minha mente.As figuras, enquanto aguardam a vez, se atropelam e se cuidam entre si para não perderem o número no painel. Falam demais, para minha agonia.Meus olhos percorrem tudo com desvairada atenção.Para mim, a qualquer momento, um bando de assaltantes, com fuzis e pistolas em punho, vai manter todo mundo no chão, enquanto esvaziam os caixas.Sempre é a mesma coisa. Tento me acalmar, me convencendo de que tudo é fruto de minha imaginação e não percebo que chegou a minha vez, até um velhinho de rosto redondo e vermelho gritar: olha o 316, morreu ou está aí?

Fonte da imagem:www.psicenter.psc.br

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Os três mosqueteiros do ônibus sacolão


Aparentemente eles se entendem como irmãos que não são. Os três - as duas moças e o ajudante.Sua lida diária começa já de madrugada, quando eles - cada um partindo de sua casa - encontram-se pontualmente às três da manhã, no local de abastecimento, para a escolha frenética dos produtos, sua separação e armazenamento.Lá, sequer têm tempo para um pequeno café. Pelo que comentam, até as seis da manhã a corrida pelo ouro é grande.Seu cansaço fica imperceptível quando, já no ponto de vendas, revezam-se na atenção aos clientes.No entanto, na minha visita anterior, notei o quanto é grande a concorrência entre os três.Uma das moças é a responsável pelo caixa e assume ares de dona do veículo e de sua carga.Acho mesmo que é ela a encarregada do transporte. Chamaram-me a atenção seus gestos másculos e firmes e seus músculos do braço acentuados demais para uma mulher. É a que mais fala, enquanto recebe o dinheiro e dá o troco. Elogia-se quase sem sentir e engrandece os produtos, como se fosse ela a única peça naquele movimento.A outra moça é responsável por separar as verduras, memorizar quantas cada cliente ensacou e colocar os ovos em dúzias, nas caixinhas apropriadas. Se algum dos clientes informa à caixa quantidade inferior àquela que tem na sacola, ela se apressa a corrigir o erro e fazer o cliente pagar o valor correto. Não sei como consegue fazer as vezes de um computador, memorizando sempre o exato, esteja a fila pequena ou quilométrica.O rapaz é o responsável por colocar e tirar as sacas de cima da balança, enquanto a caixa digita o valor do quilo. Seus braços fortes dançam ritmados naquele tira e põe sem cessar. Cuida também de informar aos clientes os preços dos produtos selecionados, como frutas e legumes fora de época, que por essa razão, variam de preço. Se ele se engana na informação, aquela que parece ser a gerente, corre a corrigi-lo com energia na frente dos demais.Percebi que os três se fiscalizam e não apreciam muito o trabalho que fazem.Já pelo menos há cinco semanas, com a permissão da gerente, me utilizo dos serviços do ajudante que transporta minhas compras até minha casa. Ela mesma sempre fez questão de mandar fazer a entrega, pois é do seu total interesse que eu acumule bolsas e mais bolsas com seus produtos.Nesse final de semana, os produtos estavam por demais selecionados, o que me fez exceder nas compras, no que fui acompanhada por um grande número de clientes.Como sempre, acabei de pagar e pedi pelo entregador. De pronto, a gerente negou, passando um sermão no coitado na frente de todos que ali estavam, enfatizando seu interesse em ganhar a minha gorjeta, que só ficaria para ele.Estupefata, ameacei deixar as sacolas e fazer com que ela devolvesse meu dinheiro, quando apressou-se a me acalmar, dizendo que eu era sua cliente especial. Não percebeu, na sua ignorância, que com isso arrematava a ira da fila que, depois do comentário, não se julgou tão especial assim.De súbito, deu ordens para que o ajudante trouxesse minhas compras.Descobri então a causa da questão - é que há duas semanas atrás eu tinha presenteado o ajudante com sapatos, sandálias e camisas do meu marido que, em desuso, julguei pudessem ser melhor aproveitadas por alguém mais necessitado. E eu, que sempre os via felizes e puros no seu trabalho braçal, concluí, então, que nem sempre o que parece é.

Fonte da imagem:www.ceasa.rj.gov.br

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Quero meu dinheiro de volta


Estou no caixa de um grande supermercado. Diferentemente do mercadinho próximo à minha casa, a moça que me atende é seca e sem visão. Treinada apenas para pegar os produtos, olhar e aproximar seu código de barras da caixa registradora atual, ignora o cliente e trabalha como um robô.Não nego seu direito a essa forma inóspita de trabalho, mas obrigo-a a reparar em mim quando ela, num gesto brusco, revelado pelo seu cansaço ou talvez pelo seu mau humor, deixa cair uma garrafa de suco já registrada em minha conta, espalhando todo o seu conteúdo em cima do balcão.De pronto, estabelece-se entre nós um diálogo sem sentido. Diz ela que não pode excluir o produto porque já fechou a nota e que eu, portanto, devo aguardar que a recepcionista vá em busca de nova garrafa. Digo-lhe que aguardarei e após quase dez minutos, quando uma imensa fila tem tempo para se formar atrás de nós, a recepcionista retorna com a resposta de que não tem em estoque o produto por mim escolhido e quebrado pela caixa. Começo a me enervar com o mau atendimento quando ela diz que me dará um crédito para ser utilizado em outra ocasião. Sua voz soa magnética como a de um robô, o que, agora, já me irrita. Nego-me a aceitar tal crédito e a resposta que ela me dá é de que devo aguardar pelo gerente. Aí quem se irrita é a fila que não entende o porquê da espera. Aviso à pessoa imediatamente atrás de mim que quero o meu dinheiro de volta e ela indaga sobre o valor do produto, prontificando-se a pagá-lo pelo mercado, devido ao seu ínfimo valor, para que ao menos a fila ande com a minha saída.Argumento que não abrirei mão dos meus direitos de consumidora e digo que não aceitaria sua proposta nem que o produto custasse um centavo.Ao mesmo tempo, compreendo porque meu país está de pernas pro ar. Nem o próprio consumidor se respeita.

Fonte da imagem:oglobo.globo.com

domingo, 9 de maio de 2010

Dia das mães, À minha mãe esteja onde estiver...




No tecido da história familiar, as mãos de minha mãe
reforçaram as costuras para proteger-me de qualquer empurrão da vida …
As mãos de minha mãe uniram com um alinhavo as partes do molde sem esquecer que cada uma é diferente
da outra e que juntas fazem um todo como a família …
As mãos de minha mãe fizeram bainhas para que eu pudesse crescer e para que não me ficassem curtos os ideais …
As mãos de minha mãe remendaram os estragos para voltarmos a usar o coração sem fiapos de ressentimentos …
As mãos de minha mãe juntaram retalhos para que tivéssemos uma manta única que nos cobrisse …
As mãos de minha mãe seguraram presilhas e botões para que estivéssemos unidos e não perdessemos a esperança …
As mãos de minha mãe aplicaram elásticos para nos podermos adaptar folgadamente às mudanças exigidas pelos anos …
As mãos de minha mãe bordaram maravillas para que a vida nos surpreendesse com as suas contínuas dádivas de beleza …
As mãos de minha mãe coseram bolsos para guardar neles as moedas valiosas das melhores recordações e da minha identidade …
As mãos de minha mãe, quando estavam quietas… zelavam os meus sonhos para que alimentassem os meus ideais com o pó das suas estrelas …
As mãos de minha mãe seguraram-me com linhas mágicas, quando entrava na vida …para começar a vesti-la!
As mãos de minha mãe nunca abandonaram o seu trabalho…
E sei muito bem que hoje, onde estiverem, fazem orações por mim …
E eu …
Eu beijo-as como se recebesse bençãos!


PS. Texto recebido na Internet (desconheço a autoria)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Felicidade


Feliz de quem pode na vida
Estar onde e com quem quiser
Longe ou perto
Insisto e persisto
Conseguir esse ideal
Idealizo a pessoa
Dela faço objetivo
Aceito planos e feitos
De modo que eu sempre tenha
Essa tal felicidade!

Fonte da imagem: blog.uncovering.org

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Alternativa


Sinto que hoje não tenho alternativa. É pegar ou largar. E quanto de mal isso me faz. Não sei como cheguei a esse ponto, parece que tudo caminhou lentamente, sem que eu pudesse assim perceber, mas o fato é que agora a questão é definitiva e imutável.Ou me modifico ou continuarei a me envergonhar de não respeitar meus limites, meus próprios desejos.Acho que é sempre assim.Chega um momento crucial em nossas vidas, onde você, unicamente você, ditará os caminhos.

Fonte da imagem:edgarsilva.com.br

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Abençoada


É uma pessoa abençoada por Deus.Vejo isso, sinto isso, pelas pessoas que a cercam no cotidiano.É privilegiada por ser refratária às coisas negativas.Sinto que parece ter um invólucro que, percebido pelas outras pessoas, as impede de mostrarem-se infelizes.Tanto é que suas conversas dizem sempre do amor, da alegria, das situações diárias de leveza. Quando um assunto ou outro é doloroso, é comum transformar-se em piada ou parecer ser uma inverdade.Parece que, na fila do Céu, ela fugiu daquela que distribuía dissabores, fazendo questão de transformar cada ato em algo positivo para a sua própria felicidade..

Fonte da imagem:www.flogvip.net

terça-feira, 4 de maio de 2010

A coroa


É verão. Ela mora num edifício com ampla área de lazer e duas piscinas.Vive só, num apartamento decorado com gosto que faz questão de exibir para aqueles que batem à sua porta, à procura de fósforo ou açúcar, na intenção, talvez, de saber algo mais sobre sua vida.Não trabalha desde que ali reside, mas vive confortavelmente como demonstra: seja pelas compras feitas pela Internet – várias, de baixo e alto custo – habitualmente recebidas pelos porteiros e propagandeadas pelos mesmos, e também pela diversidade de trajes que faz questão de trocar algumas vezes ao dia e exibir em suas descidas ao play.Todos os dias pratica o mesmo ritual.Acorda às 6 horas da manhã e vai à padaria da esquina comprar o pão doce encomendado na véspera e feito quase que com exclusividade para ela.Às 10 horas desce para a área de lazer. Faz uso das escadas alegando necessitar de exercícios para melhorar a saúde. Cumpre cautelosamente essa descida pelos oito andares, solitariamente.Já na área de lazer procura sentar-se em meio ao maior número de moradores e participar das conversas do grupo, mostrando-se sempre atualizada com os fatos corriqueiros e com as novas tecnologias.Ninguém ainda conseguiu descobrir sua idade. Aparenta, no máximo, ter uns 56 anos.É verão. Usa trajes adequados para a praia e traz consigo todos os apetrechos necessários - da sacola com protetor solar, água, toalha... à barraca e cadeira para o repouso – mas nunca usa a piscina. Lá permanece por cerca de três horas e partilha de todos os acontecimentos.Hoje, uma vizinha, mais indelicada, a questionou sobre o fato.Conversou e desconversou, até levantar a saia e exibir uma feia cicatriz na perna direita que subia até o início da coxa, oriunda de uma queimadura numa explosão de gás..

Fonte da imagem:www.midiatico.com

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Mudança


Estou de mudança. Enfim compramos o apartamento tão sonhado. Quisemos que fosse localizado numa rua tranqüila e arborizada, bem longe do burburinho do comércio.Era imprescindível que toda a frente recebesse sol da manhã, para que no verão próximo e em todos os outros que lá passaremos, as tardes se encarregassem de esfriar as paredes, garantindo que o clima, à noite, fosse quase o ideal.Embora o prédio tenha playground e duas grandes piscinas, o escolhemos, entre outros, porque essas áreas ficam bem destacadas do corpo predial e assim não seremos perturbados.Como se situa em centro de terreno, todo o seu em torno é repleto de pequenos arbustos e folhagens coloridas e, logo na entrada, uma grande roseira de flores vermelhas que dão ao local uma vista deliciosa.A portaria, embora luxuosa, possui apenas um grande sofá, propositalmente colocado na frente de uma parede espelhada e não permite, por seu arranjo, que moradores ou visitantes ali permaneçam por muito tempo, o que propicia a ausência total de desordem das crianças mais peraltas.Quisemos também que fosse no sétimo andar, pois, assim, teríamos uma paisagem mais abrangente e ficaríamos alheios aos possíveis ruídos vindos da rua.O que mais me fez apaixonada por ele foram os corredores amplos, em mármore branco, longos, para nos dar a impressão de caminharmos em purificação até chegar à entrada.As duas portas de entrada – sala e área de serviço – em madeira branca com detalhes dourados, deram ao local um ar de suntuosidade aparente, convidando a quem chegasse a observar o bom gosto.Escolhi para essa entrada os melhores limpa-pés. Nada de pequeninos: altos, sem frisos ou bordas, de cor marrom claro, perfeitos…Ao abrir-se a porta vê-se um corredor comprido, espelhado, que, por seu tamanho, pode alojar um aparador igualmente branco, onde planejei colocar um vaso de cano alto e a caixa para correspondências trazida de Portugal.A passadeira também foi comprada com critério. Nada de motivos florais ou linhas sem expressão. De cor caramelo forte forma, no centro, um desenho irregular que a fez diferente de qualquer outra.O corredor dá acesso aos três amplos quartos: o de casal com suíte de rainha, que decoramos de branco, com cortinas em tom pastel, o de hóspedes em tom verde clarinho e o destinado apenas ao repouso, decorado em amarelo suave. Este recebeu três grandes poltronas acolchoadas e de tecido com florzinhas miúdas, do tempo da vovó, uma mesa de centro para livros e revistas e vários almofadões espalhados pelo chão. Coloquei um vaso de plantas com uma grande folhagem junto à janela e não esqueci do carrinho de chá, em palhinha chinesa, presente de uma grande amiga numa viagem ao exterior.Todos os quartos exibem, com galhardia, as telas pintadas por meu marido, motivo pelo qual esse apartamento tem um espaço somente para o seu trabalho de pintura. Seu novo atelier. Foi difícil arranjar, nos lugares certos, os inúmeros vidros de tinta a óleo, as pranchetas de vários tamanhos, cavaletes e telas virgens. No final tudo ficou lindo. Persianas quase transparentes cobrem o imenso janelão de frente para a rua, cenário perfeito para o trabalho do meu artista.O corredor também dá acesso à sala de dois pavimentos, divina com seus sofás em tom ferrugem e uma obra de arte, uma figura de mulher, em mármore branco, de tamanho natural, em um dos cantos. Para a sala designei um dos seus quadros mais bonitos, tipo painel com uma moldura em madeira, inigualável. Foi o primeiro dos quadros que pintou e que fez com que eu o incentivasse para compor um grande acervo, hoje, com muitas e muitas obras de fino gosto.No final do corredor, a cozinha, toda em amarelo claro, me diz onde estarei a maior parte do meu tempo. Adequadíssima e perfeitamente equipada, tem todos os apetrechos à mostra, à mão, já que o espaço assim o permite. Ali será o meu laboratório diário nas iguarias que pretendo preparar, a começar pelo almoço de inauguração do apartamento e mostra à família que hoje, numerosa, pode ser abrigada de uma só vez.Não esqueci de colocar numa espécie de pedestal meus livros de receita preferidos. A bela fruteira vinda da Áustria será cuidada para que esteja sempre ornada com as frutas de minha preferência.Dois outros banheiros enormes em branco neve, com as louças em preto, darão, sem dúvida, à nossa higiene diária, um prazer e uma calma permanentes. Localizados um tanto distante das áreas comuns, garantem a privacidade necessária aos banhos de sais que, agora, serão costumeiros.As áreas de serviço ficaram restritas à guarda de objetos e equipamentos sem utilização, tal qual um almoxarifado doméstico.Enfim, estamos de mudança. Já contratamos duas auxiliares para a manutenção geral da limpeza, a cada semana.O último caminhão segue agora com os nossos pertences finais.Viro-me e, vendo meu cantinho totalmente vazio, a futura saudade não me deixa ir em frente.Em poucos minutos vivo e revivo tudo o que aqui construí nesses quinze anos e, de repente, quase me arrependo de partir.Enfim, estou de mudança... mas não totalmente feliz...

Fonte da imagem:www.pref.iwate.jp

domingo, 2 de maio de 2010

A pobre menina rica


Eram cinco as meninas que conversavam.Da mesma idade todas, embora os tipos físicos destoassem entre si.Uma loirinha, mais alta, tinha os olhos voltados para o social, para o que denotasse aparência e isso se fazia sentir no traje que usava - sandálias maiores que os pés, de solado grosso e alto, shorts de adulta e blusinha bordada com florões, deixando a barriga totalmente descoberta.A outra, ao lado, vestia roupas simples de menina daquela idade, não arriscava falar muito. Era amiga da loirinha e estava de visita, parecia não conhecer as demais.Uma morena, bem mais alta, já parecia adolescente e suas atitudes mostravam uma criança grande desengonçada. Morava no mesmo prédio e era amiga da loirinha também.A quarta, bem mais baixa e mais esperta que todas, era magrinha e parecia uma adulta em miniatura. Trajava shorts com pedrarias e sandálias bem mais altas do que as da loirinha.Notei que a quinta era simples demais – trajava roupas de criança mesmo, criança daquela idade – e seu rostinho meigo era seguro e seus comentários, na conversa, sem compromisso, diziam convicção.Sentada ali ao lado, entre a algazarra que faziam, parei de ler para prestar atenção na conversa. Sempre me interesso pelos papos de crianças.Reparei que o pivô era a quinta. As quatro tentavam descobrir, a partir da afirmação da loirinha, se era verdade ou não o fato dela, a quinta, ser rica.Eis que, do nada, surge a mãe da menina para buscá-la para o jantar e outras duas incitam a terceira a desvendar o mistério, indagando da mãe. Depois do empurra-empurra habitual, uma delas se encorajou e fez a tal pergunta:- Tia, perguntamos à Taissa se ela era rica e ela respondeu que sim, é verdade?Percebi que a mãe, sem nada entender, apenas respondeu:- Se ela disse que é, podem acreditar que sim, porque só somos o que verdadeiramente sentimos ser.A mãe e a menina despediram-se do grupo que, um pouco decepcionado e sem mais o que comentar, desfez-se….

Fonte da imagem:www.poesias.omelhordaweb.com.br

sábado, 1 de maio de 2010

Amanhã


Amanhã vou começar “aquela” dieta.Decidi isso agora, quando me olhei no espelho de perfil.Amanhã, prometo, vou começar. Tão decidida estou, que vou esvaziar o freezer das esfirras e sanduíches naturais preparados para a semana. Não posso tê-los perto como tentação.Decidi mesmo, vou começar.Preparei todos os artefatos necessários para não voltar atrás nesse momento de total decisão.Já preguei na porta da geladeira minha foto preferida, aquela que me mostra quinze quilos a menos, aquela em que de frente, de perfil, de costas, pode se ver os ossos, hoje tão escondidos.Junto a ela, outra e mais outra, onde o sorriso – a boca era maior ou a gordura encobriu-a em parte – era de poderosa.Tirei do guarda-roupa peças de tamanhos menores e jurei que em mim entrariam, pelo menos, daqui a duas semanas.Separei revistas com dietas de todos os tipos e amanhã vou escolher a melhor, aquela que me fará, sem sacrifícios ou não, atingir o meu objetivo hoje – o de começar uma dieta amanhã!

Fonte da imagem:agorafamosos.com