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terça-feira, 18 de maio de 2010

Delírio


É uma pequena padaria.Dessas de bairro pobre, daquelas que, você adivinha, nunca vai se tornar confeitaria.Foi, propositalmente, ali colocada. Ali, bem ao lado de uma escola de adolescentes, os maiores admiradores e consumidores de confeitos e sanduíches (se bem que daqueles bem frugais, pois os requintados vão, à noitinha, no encontro com o “ficante”, buscá-los em qualquer McDonalds ou Girafa’s).É a terceira vez que por ali passo, mas hoje, como se houvesse no ar um ímã e me puxasse, fixo-me próxima ao balcão de pães de todos os tipos. Em pequenas quantidades, devido ao espaço para eles reservado, são de várias qualidades e espremem-se entre si para caberem naquele pequenino balcão aquecido. Até as abelhas, em busca do sabor doce do creme, disputam um lugar ali.Observo que não seguem qualquer regra de marketing e doces com canela e açúcar, misturam-se aos pães salgados cheios de calabresa e queijo ralado, dando um colorido fantástico ao local.A única regra que parecem seguir é a de higiene. A pele bronzeada da balconista sorridente se contrasta com o avental branco, impecavelmente limpo. Uma toalha, igualmente branca, também faz parte do seu adereço e ameaça e indica, aos menos cuidadosos, onde colocar copos já utilizados e guardanapos sujos.Estou ali parada e fascinada, já há algum tempo, e só agora percebo a semelhança dessa padaria com aquela da minha infância. Também lá, os grupinhos da turma lanchavam a cada manhã, no intervalo das aulas.Surpreendentemente, vejo-me, como no passado, isolada em um canto, transportando, só com o olhar, o sabor desejado do pão doce mais bonito para o meu sanduíche caseiro recheado apenas com açúcar.

Fonte da imagem:www.tapera.net

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