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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Surpresas na vida

A vida, se estivermos atentos a ela, vai nos mostrar sempre, surpresas.
Sejam boas ou más as novidades, elas dão margem à análises que, via de regra, deixam um pouco de apreensão para o futuro.
Se são boas, queremos retê-las, como se o destino não pudesse interferir.
Se são más, deixam mágoas, frustrações, lembranças doídas...
Hoje, eu tenho a absoluta certeza de que para que as surpresas, sejam apenas fatos novos, nossa atitude diante da vida, deve ter ética e generosidade.
Assim, mesmo que um tsunami nos atinja, será apenas um tsunami...
(Adir MachadoVieira Queiroz da Silva - 10/04/11)
Fonte da imagem:pintandoosetecomavida....

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Salve 27 de setembro!

Desde há muito tempo, sou uma fiel seguidora dos Santos Cosme e Damião. Já lá se vão mais de trinta anos que eu, religiosamente, distribuo doces em homenagem aos dois e às crianças que foram. Se algum motivo me impede de fazê-lo no dia vinte e sete, o faço no dia doze de outubro, das crianças.
Desde pequena curto aquela correria nas casas vizinhas, visto que na minha época de criança, na rua em que eu morava, as casas predominavam. Ouço ainda aquele seu ruido gostoso, fazendo fila, a mando das senhoras que faziam a distribuição, que, mesmo praticando um ato que envolvia os santos, se negavam terminantemente a ceder um saquinho que fosse a alguém , mesmo faminto, que não fosse criança. Até os adolescentes que traziam pelas mãos irmãos menores, ficavam fora desse favorecimento.
Lembro que na esquina da rua ficava o único prédio do quarteirão. Lá morava uma senhora de uns setenta anos, já viúva e sem filhos que distribuia semanas antes da data, na porta do prédio, cartões para a coleta dos sacos no dia vinte e sete. Esse era o mais precioso para nós. O saco era bem grande, pois abrigava, unicamente, um pão doce de uns vinte centímetros de comprimento, recheado de goiabada e coberto de glacê. Lembro que deixávamos para trás, qualquer outro recebimento, mas aquele nunca. Sonhávamos já de véspera com aquele presente, pois a cada ano se apresentava de forma diferente.
Lembro também de um dos meus irmãos saindo e voltando várias vezes para casa com os braços cheios de saquinhos coloridos com a imagem dos santos. Lembro também que ao pedido dos irmãos menores de ganharem apenas uma cocada que fosse, mandava que aguardassem até a noite para a distribuição. Aquele monte de sacos era guardado fora do alcance de nós todos até depois do jantar que, de banho tomado, sentávamos em volta dele que, pacientemente, separava diante dos nossos olhos atentos, os doces embrulhados, as balas, etc... acondicionando-os em potes com tampa, classificados devidamente.
Depois de fazer um balanço da sua coleta, aí sim , permitia que fizéssemos a festa, sob a permissão de minha mãe sobre o que cada um poderia comer. Essa regra que ele nos impunha, hoje nos traz lembranças adoráveis quando, como agora, aqui, da minha janela, observo as crianças correndo em busca dos doces.
(Adir Machado Vieira Queiroz da Silva - 30/09/2009)
Fonte da imagem: coisitasdacris.blogspot.com

domingo, 21 de agosto de 2011

Nasceu a princesa !


Nasceu para ser princesa, no mais alto estilo da palavra.Já na barriga dava ares de sua imponência, pela delicadeza e beleza dos trajes que, cobrindo o corpo da mãe, serviam de invólucro para seu porte destacado.Nasceu com o raiar do dia, nas primeiras horas da manhã, quase não dando tempo à mãe e aos médicos para os preparos necessários ao seu nascimento.Esperada que era pela família grande que há muito não ouvia o choro de um bebê, foi anunciada como notícia de jornal pelos corredores da Empresa onde a mãe, na véspera de sua chegada, tinha cumprido longas seis horas extras.- Extra! Extra! Nasceu a princesa!Nasceu forte e decidida, com o narizinho em pé. Fofa, cabelinhos encaracolados, foi se tornando ao longo do tempo a pedra preciosa do grupo. Foi abduzida por todos e para todos, tamanho o seu requinte.Mais crescidinha, na escola seu vocabulário especial, contrário à mesmice dos coleguinhas, chamava a atenção dos mestres que não sabiam o que fazer para retomá-la às bobagens corriqueiras. Sempre amou estudar, ler e pela vida foi trilhando caminhos e estrelando suas peças, sempre com todas as vitórias..

(Adir Machado Vieira Queiroz da Silva - abril/2009)


Fonte da imagem:namoda.wordpress.com

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Carnaval


Tinha eu quatorze anos, época em que os hormônios clamam por felicidade.Na semana seguinte seria Carnaval e primas e amiguinhas de melhores posses do que eu, não falavam de outra coisa e, como sempre, já haviam decidido o que fazer e para onde ir naquela longa semana de folga.Só eu e minhas irmãs cumpriríamos a mesma rotina de dias iguais, já que não tínhamos condições financeiras para gastos com lazer.Era Carnaval e eu, mais do que ninguém ficava enlouquecida com os bailes fomentados na mente, na imaginação desenfreada de quem admira a festa.Acho que naquele dia, Deus ouviu minhas preces e fez com que duas das minhas primas mais próximas convidassem a mim e a minha irmã quase gêmea, então com treze anos, para um baile noturno. Não seria perigoso pois todos iríamos com meus tios e era bem próximo de casa, num daqueles clubes familiares criados por moradores do local. Antes que meus pais consentissem – sabia que iriam permitir nossa ida – fiz de relance uma fantasia em torno da questão. Lá, já me vi pulando entre os foliões e chamando a atenção geral com a minha fantasia. No entanto, a fantasia seria um grande problema, já que não possuíamos nenhuma veste que, trabalhada em última hora, pudesse ser transformada em traje carnavalesco.Sem admitir essa impossibilidade, resolvi vestir o meu vestido mais apresentável, verde água, por cima de uma calça preta justa. Colocado por dentro da calça, dobrava-se por cima dela, dando uma aparência de – melindrosa – que, com colares e pulseiras coloridos, nada deixaria a desejar a fantasias mais simples.Fiz o mesmo com o de minha irmã que era de cor rosa. E assim, fomos para o baile.Eu me diverti tanto, tanto, que nem um lanche oferecido pelo meu tio me fez parar de dançar.Nas primeiras horas da madrugada e com o baile terminando, fomos deixadas na porta de casa. Meu pai, avisado com antecedência, abriu a porta em silêncio, para que as outras crianças e minha mãe não acordassem.Minha alegria cessou quando, ao me despir para o banho, deparei-me com o vestido, único traje para as ocasiões festeiras, todo manchado de preto. O mesmo ocorreu com o de minha irmã.Não preciso detalhar o que ocorreu no dia seguinte quando minha mãe viu, nem sobre os castigos que sofremos..

(Adir Machado Vieira Queiroz da Silva - abril/2009)

Fonte da imagem:pcmag.uol.com.br

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Ciúme


Mauro negava sentir ciúme.
Discursava pela vida afora, tal qual filósofo, abominando esse sentimento que, segundo ele, fazia horrores na vida das pessoas que o tinham. Muito mais do que na vida das pessoas por ele atingidas.
Gostava de falar sobre ciúme, catedrático que parecia ser no assunto.
Suas palavras eram de total negação.
Orgulhava-se de, desde menino, dividir seus inúmeros brinquedos de filho único com os amiguinhos da vila onde morava, com todo desprendimento de quem não guardava, em si, nem as mínimas impressões desse sentimento.
Caminhou pela vida dividindo amigos, chefes, empregos, objetos pessoais e até mesmo bens materiais de valor. Tudo lhe servia de teoria para esse gosto de se mostrar isento de ciúme.
Parecia que sua vida foi de total treinamento para que angariasse troféus e mais troféus merecidos.
No entanto, surgiu Marina. Marina, a escolhida. Sem muitos atrativos, Marina tinha uma beleza camuflada que só Mauro percebia a fundo.
Parecia que Mauro escolhera Marina para que fosse poupado dos olhos desejosos de outros homens sobre ela. Mauro passou a temer suas saídas, rápidas que fossem, controladas nos segundos até a sua volta. Tudo de Marina era importante para Mauro. Captava seus sonhos, seus desejos, suas vontades. Vivia totalmente para ela.
Agora, cumprindo já dez anos de pena, olhava o teto da cela e não entendia como disparara aquele tiro em seu coração, à queima-roupa.
(Adir Vieira - 30/11/10)
Fonte da imagem:mestrearievlis...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O Sol


Hoje em dia não gosto mais do calor, como quando era criança e mais jovem.
Acredito que grande parte dessa falta de apreciação por esse clima é devida ao fato de eu morar num prédio com piscina e playground, reduto dos moradores nessa época do ano.
Os dias calmos de inverno onde todos se refugiam debaixo de cobertas a assistir filmes preferidos na TV ou mesmo dedicando suas horas de lazer a leituras, dão lugar a vida em grupo.
No play e na piscina vamos encontrar nesse clima de calor, até altas horas da noite, os nossos queridos vizinhos.
As crianças de um modo geral descobrem as bicicletas, os jogos, enfim, as gritarias que, misturadas às vozes dos pais e babás, provocam um vozerio incompreensível aos nossos ouvidos nos trazendo um desconforto sem par.
Embora a piscina se localize distante das minhas janelas, o grande e constante grupo que a frequenta, faz questão da exibição não só do próprio corpo, como de sua falta de educação, atestada pela forma com que se comunicam, entremeadas de palavras pouco aprovadas pela minha avó.
Na maioria dos dias, ainda nem bem despertamos e somos sacudidos pelas algazarras das crianças a transportar brinquedos, mochilas, garrafinhas de água e outras coisas mais pelos corredores e pátio, a anunciar sua felicidade com as brincadeiras ao ar livre.
Nessa época do ano, o salão de festas, também para nossa agonia, é disputadíssimo pelos moradores que devido ao horário de verão, podem estender suas festividades por mais uma hora.
E eu que amava tanto o meu amigo Sol, antevejo dias de terror, disputando com meus vizinhos momentos de calma e silêncio.
Viva o verão!
(Adir Vieira - 30/11/10)
Fonte da imagem:luaimaginadapoemas...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A loja de roupas femininas


São quatro horas da tarde.
Encontro-me no segundo piso de um shopping famoso, exatamente no Centro Médico. Ali, tudo, parece que foi planejado para distrair os clientes enquanto aguardam aquelas horas intermináveis e, dependendo do caso, nervosas, para o atendimento.
O local é em toda a sua extensão envidraçado de forma que ali parados,eles possam visualizar outras áreas do shopping e sua rotina.
Ali estou eu, sentada de frente para uma loja de roupas femininas, no andar de baixo.
A princípio, a própria loja me chama a atenção, pelo seu bom gosto. Numa época em que tecidos e trajes estão totalmente desconexos, ali ainda se preza a harmonia das cores e os detalhes suaves que embelezam a vestimenta.
Não só as roupas mas a disposição dos balcões e das araras, clama por uma visita que seja só para apreciar.
Observo como as calças compridas são dispostas e dobradas. Se o desenho do bolso é o destaque, é ele que fica visível aos nossos olhos e o importante é que, diferentes na sua forma, mesmo empilhadas, convidam ao interesse de experimentá-las, pois os detalhes mais importantes nas peças sobressaem na pilha.
Ali, até a lixeirinha, colocada na porta das cabines de prova, é graciosa e adequada ao ambiente.
Nas vitrines o lápis vermelho também passou por ali, mas consegue ser mais uma obra de arte, pela forma com que escreveu “liquidação”. Cada letra, para combinar com o negócio, mais parece uma silhueta de mulher. Não posso deixar de tentar formar na minha mente o profissional responsável por aquele feito.
Agora, o que me chama a atenção ali é uma senhorinha, de uns setenta anos, baixinha, vestindo jeans como uma menina de quinze anos, que, sorridente entra e se dirige a vendedora. Depois de trocarem algumas palavras que eu de onde estou não consigo ouvir, seguem para um dos balcões de blusas esportivas e bastante coloridas, embora não extravagantes. A senhorinha vira daqui e dali e sem qualquer timidez a cada peça tocada, coloca-a junto ao corpo e com gestos infantis se olha no espelho, aprovando ou não uma e outra. Como se aquela primeira experiência não fosse o bastante, arruma nos braços umas seis blusas e se dirige a cabine de prova. Percebo que de lá, ainda ocupa a vendedora, devolvendo algumas peças e ao retorno da mesma, entendo que pediu para trocar as cores. Depois de muitos minutos, sai da cabine feliz indicando apenas duas peças à vendedora. As duas então se encaminham para o Caixa e depois disso não consigo ver mais nada, pois a enfermeira me chama.
(Adir Vieira - agosto de 2009)
Fonte da imagem: fotosearch.com.br

terça-feira, 17 de agosto de 2010

União para sempre


Hoje, depois da morte da matriarca, não nos vemos com muita frequência. É diferente de quando, naquele casarão, ao visitarmos diariamente nossa mãe, nos encontrávamos com todos que ali iam para aquele fim - o de acarinhar aquela que para nós, seus filhos, sempre representou a força maior a nos segurar na vida.
Hoje, a não ser que uma data nos imponha isso, não nos vemos, cara a cara, como antes. E já que o telefone móvel nos dá a tranquilidade de estarmos sempre em contato, vez por outra, nos surpreendemos com o tanto de tempo que não nos encaramos.
Moramos, na sua maioria, no mesmo bairro, em ruas próximas e talvez por isso, não temos a ansiedade de irmos uns em busca dos outros, já que os sabemos bem por perto. Não é raro, por isso, nesses quase quatro anos que já se passaram, estranharmos seus novos gostos, suas novas vestimentas, seus cabelos enbranquecidos pelas agruras do tempo.
Com o hábito de nos reunirmos sempre na casa de nossa mãe, não fomos acostumados a nos frequentar em nossas casas. Daí essa grande lacuna. Também os afazeres de cada um, não deixa espaço para tal.
Mas a certeza de estarmos todos dentro do mesmo raio de união, não nos deixa preocupados com a proximidade física, já que nos falamos, chova ou faça sol, todos os dias.
No entanto, a situação muda inexoravelmente, quando qualquer um dos irmãos por questões pessoais ou por força do trabalho que desenvolvem, têm que se afastar em viagens, sejam curtas ou não.
O fato de não os termos à mão, muda nossos procedimentos, como da água para o vinho e nos deixa pipocando de ansiedade desde sua partida até o retorno, momento em que nosso grito de alívio, não esconde esse visgo de união, quase patológico, em nossas vidas.
Aí é comum, estarem todos conectados no MSN, de manhã à noite, à espera do ruido de chamada, para prazeirosamente nos vermos, de novo, frente à frente, como se há séculos não nos víssemos.
Que marca é essa, tão comum e tão presente nas famílias de antes que, com todos os recursos tecnológicos, não presenciamos nas famílias de hoje?
Fonte da imagem:websmed.portoalegre.rs.gov.br

sábado, 24 de julho de 2010

Meu passeio à Ilha de Paquetá


Deixando a casa, preferi tomar um táxi por ser mais confortável e não precisar me preocupar com o estacionamento para o carro.Subi as escadas do viaduto da Praça XV com toda a elegância e descontração, observando as pessoas que, como eu, iriam fazer o trajeto.Comprei o ingresso para o Catamarães com facilidade, pois não sendo final de semana, mesmo em época de férias, tudo fica tranqüilo. Não esperei muito pela barca, deu tempo de ir ao banheiro e de tomar um refrigerante. Aprecio tudo nesses passeios pela Baía de Guanabara. Até a loja de souvenires ganha um aspecto diferente aos meus olhos.A barca, imensa, chega imponente e seu apito, avisando a chegada, é como música ritmada com minha expectativa. Entro e logo vou à proa – tenho mania de me fotografar na frente, ao vento, com os cabelos em desalinho. Já lá dentro, escolho o lugar para sentar-me e acomodo minha pequena bagagem no banco ao lado. Tenciono lá permanecer apenas por umas quatro horas, razão pela qual dispus-me a trazer apenas um leve casaco e lenços de papel especiais para suportar a coriza que a aproximação do mar me provoca. Observo os vendedores ambulantes que várias vezes ao dia fazem o mesmo trajeto. Do vendedor de sorvetes e biscoitos ao de bijuterias, todos percorrem automaticamente o início e o fim da barca, em busca de compradores que diminuam o peso de suas bagagens, revertendo-as em ganho para o seu sustento.Escolho um brinco colorido com uma pequena pena azul na ponta para combinar com a calça e túnica esvoaçantes e de cor azul piscina com que estou vestida. Não deixo de comprar, também, um pacote de biscoito Globo salgado que venho saboreando em silêncio, ao mesmo tempo em que desfruto a beleza da paisagem. Noto que meus companheiros de viagem são os tipos mais diferenciados.Na minha frente duas adolescentes papeiam agitadas e sem a preocupação de que outros as escutem, falam de suas experiências amorosas sem qualquer pudor. Uma senhora franzina, de cerca de setenta anos, sentada do lado direito das duas, mostra-se incomodada com a conversa e abre e fecha a revista que tenciona ler, com gestos ríspidos de quem não gosta do que escuta. Do outro lado, à minha esquerda, um grupo com quatro estrangeiros fotografa e filma toda a Baía, não contendo gritinhos de admiração com a beleza ao redor.Um senhor em cadeira de rodas amparado pela filha, pouco atrás de mim, pergunta insistente e repetidamente sobre o horário da consulta médica. Outra senhora, com dificuldade, vai remando ao balanço da embarcação e passa por nós em busca do banheiro. Lá na frente, um casal de namorados, alheio a tudo e a todos, não percebe a hora da descida e é preciso ser chamado pelo fiscal.Após o apito anunciando nossa chegada à Ilha, vamos todos em fila indiana, num percurso de cores e cadências, atingir o outro lado, onde o trenzinho local, as charretes, bicicletas e outros ambulantes encontram-se a nossa espera.Passo por todos e dirijo-me à Igreja de São Roque, bem na entrada da Ilha, imponente na sua simplicidade, parecendo receber a mim, exclusivamente, de braços abertos.Cumpro meu ritual de visita e calmamente, seguindo a paz do local, faço minhas orações.Aqui estou eu, novamente em Paquetá. Embora estejamos no verão, o dia não está muito quente. O Sol observa a paisagem de longe e fica indeciso de se mostrar. Sento num dos bancos de madeira maciça embaixo de um coqueiro milenar e fixo na mente a natureza plena. Compro uma garrafa de água mineral numa das carrocinhas de ambulantes que circunda a praça e volto ao banco para terminar de saborear meu biscoito Globo. Refestelo-me com o ar, com o barulho das ondas batendo no mar calmo.Decido alugar uma charrete para reviver meus passeios de infância, sem deixar de fora nenhum local.O condutor, sem querer saber se lá estive outras vezes, cumpre a rotina que lhe ensinaram e anuncia cada passagem, no ritmo da puxada dos burros. Passamos pelo Museu de Artes, pela Casa de José Bonifácio, pela Academia de Letras, pela Pedra da Moreninha e pela árvore O Baobá, originária da África, chamada Maria Gorda. Aí peço ao condutor da charrete que pare por uns segundos e abraço aquela árvore com dificuldade, pois de tronco tão largo, parece nos engolir no toque. Todo o percurso é coberto por flamboyant. O Parque Darke de Matos parece nos tirar desse mundo levando-nos a distâncias não imaginadas por entre árvores de todos os tipos. Uma delas parece conter, no tronco, uma casa, onde não posso deixar de entrar e admirar o outro lado do parque que termina no mar. Só essa experiência de descobertas já vale o passeio.Resolvo tomar o trenzinho para ir ao Mirante, no Morro da Cruz, e apreciar, serenamente, a vista parcial da Ilha. De repente, dou de cara com dois sagüis, típicos da região. Filmo sua fugida, como coisa preciosa nas minhas recordações. Já lá se vão quase duas horas e meu estômago anseia por alimento. Prefiro um sanduíche de dois andares ao almoço tradicional, pois assim posso, após um breve descanso, alugar uma bicicleta Monark de pneu balão e por, pelo menos duas horas, sentir o sabor dos meus passeios à tardinha na rua em que morava quando tinha quatorze anos.

Fonte da imagem:www.skyscrapercity.com

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Ah! o amor, de novo !


Hoje, particularmente hoje, lendo essa frase de Clarice lispector -
"Quando se ama, não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós." -
vi toda a imensa verdade contida no amor.
Por amor, mudamos conceitos,
por amor, esquecemos o mundo,
por amor, desrespeitamos pais,
por amor, fazemos das exceções nossas regras.
Mas é preciso que seja o amor verdadeiro, contido de imensa paixão, do início ao fim.
Quando verdadeiramente amamos, o tempo não passa, as marcas de velhice não existem e a mesma inocente força de poder o que se quer, rodeia nossos dias, guiando nossos passos em busca dos mesmos sonhos da juventude.
Por mais que amadureçamos, por mais que sejamos condescendentes com as pessoas mais queridas que nos rodeiam, tudo acontece dentro de nós.
É nossa alma feliz que clama por um dia sorridente, por uma festa particular, alheia a vida lá fora.
Que bom que é assim, enquanto o amor existe !
Adir Vieira - 14/07/10
Fonte da imagem: ienh.com.br

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Lá se foi a "COPA" e já vem o Bruno!


Estamos no início de mais uma semana.
Nas últimas semanas, todos vivemos em torno do campeonato mundial de futebol, fazendo com que nossa vida girasse ao redor desse evento, atropelando nossos compromissos de rotina e fazendo com que o maior número de trabalhadores, contabilizasse na sua folha de ponto horas e horas a pagar, de acordo com o estabelecido com cada patrão.
Vivemos freneticamente a alegria de voltar mais cedo para casa e até de não ir para o trabalho nos dias de jogos do Brasil.
Lamentavelmente, para nossa tristeza, o Brasil não logrou êxito e nós todos, como se já não soubessemos disso, exibimos nosso ar de desilusão pelo fato.
Nesse início de semana, a mídia que esqueceu o mundo, por conta do campeonato, volta a eleger apenas uma pauta para, igualmente, freneticamente, se dedicar - o caso Bruno -.
Enquanto isso, enquanto a mídia se debate em apresentar a melhor matéria sobre o caso, o maior furo de reportagem, o maior sei lá o quê, o Brasil e seus inúmeros problemas, seguem à margem, totalmente ignorado nas suas necessidades prementes.
É assim que gira o mundo, infelizmente!
Fonte da imagem: blogdomariomarinho...
12/07/10 - Adir Vieira

terça-feira, 8 de junho de 2010

Abundância


Algumas pessoas são assim, abundantes.Não é preciso ser letrado, nem ter qualquer especialidade de formação. Não é preciso conhecer quiromancia, astrologia ou outras práticas adivinhatórias para se identificar as “abundantes”.Basta que usemos de percepção e atenção e, pronto, assinamos embaixo.É assim a minha amiga. Já nasceu maior que as irmãs. Sempre foi mais fofa, prestes a ser recheada de amor. Cresceu com o sorriso farto, aberto, grande como ela.Suas roupas fugiam à moda. Seu corpo não permitia segui-la. Fazia questão das vestes enormes, soltas, para que pudesse inflar, sempre, ao sabor da situação.Pratos pequenos? Vasilhas de tamanho médio? Qual o quê…Sua predileção era pelos maiores, mais abrangentes, aqueles que pudessem acolher o máximo, sempre o máximo…E seus sentimentos então? Sempre além da faixa mediana, circundava o volume maior na alegria e na tristeza…É assim a abundância… Recheios caem pra fora das massas… Cremes pingam pelo chão... Farinhas criam tapetes brancos ao se derramarem…

Fonte da imagem: www.blogbrasil.com.br

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Meu tipo inesquecível


Hoje falei, por telefone, com meu tipo inesquecível. Lembrei-me da minha infância e de sua presença constante em minha vida.Devia ter uns trinta e cinco anos. Era mãe de dois meninos, um da minha idade e o outro da idade de uma das minhas irmãs. Sabíamos que ela e o marido não se davam muito bem. Ouvíamos com relativa freqüência suas brigas conjugais. Era nossa vizinha do lado direito. Tinha uma alegria permanente, apesar dos problemas. Não me lembro de nunca tê-la visto verdadeiramente triste. Era isso o que me fascinava! Gostava de vestes coloridas e nunca esquecia o batom e o pó compacto. No bairro, tinha fama de namoradeira, pois era jovem e bonita, diferente das mães da rua que aparentavam um semblante mais responsável, de acordo com a época.Eu e minhas irmãs a admirávamos, visto que sua felicidade aparente e seu porte de moça descompromissada com a vida nada tinha a ver com seus constantes votos pra tudo e pra todos de – vá com Deus!, que Deus te crie!, que Deus te proteja e te guarde! – tão próprios das velhinhas beatas do local.Sabia uma imensa coletânea de simpatias e rezas para curar os pequenos males – as frieiras e as erisipelas. Nunca contou como aprendeu o ofício, mas nele acreditávamos piamente e constatávamos seus efeitos em nós mesmos e em quem se permitia experimentá-lo.Apesar de sua fama de irresponsável, minha mãe gostava muito dela, para nossa sorte, e só a ela nos confiava quando, depois de muitos pedidos, concordava em nos deixar acompanhá-la à padaria, à quitanda ou à papelaria, locais próximos de nossa casa. Aquele pequeno percurso que, na maioria das vezes, não durava mais de dez minutos, de mãos dadas com ela, parecia uma eternidade extasiante. Corríamos no seu ritmo, sorríamos com suas brincadeiras, enfim, saboreávamos cada gesto, cada som vindo dela.Lembro-me perfeitamente do dia em que fomos todos juntos assistir à cantora Emilinha Borba numa apresentação no palco montado num caminhão, no Convento que precisava arrecadar fundos. Muitas pessoas lá estavam, parece que todo o bairro havia se deslocado para lá, mas a alegria de nossa grande amiga sobrepujava a de todos.Lembro-me, hoje ainda, já passados quase cinqüenta anos, do brilho do seu olhar, da sua alegria genuína. O dia seguinte, com seus comentários sobre a festa, as canções, o figurino da artista, era melhor ainda. Ninguém conseguia contar uma história e prender tanto nossa atenção daquele jeito. Só ela, meu tipo inesquecível.Ali, ao lado de nossa casa, no parapeito do muro divisório, nas conversas das tardes, nos relatos sobre os problemas de sua família e antepassados, ia lançando mosaicos de aprendizado na nossa formação, inesquecíveis para sempre.Choramos quando, depois da separação do marido, precisou se ausentar por dois anos. Sofremos por ela quando ficou longe dos dois filhos para garantir a pensão alimentícia. Na sua volta, vibramos.E, assim, foi seguindo a vida. Crescemos e vimos seus filhos crescerem. Na luta pela sobrevivência criava artesanatos variados, todos voltados para a espiritualidade. Quantas colchas de retalhos e quantos panos de crochet multicoloridos nos exibia com orgulho…Há alguns anos, adoeceu brabo. O fumo acirrado deu-lhe de presente um enfisema incurável. Já nessa época tivemos a certeza de que a morte do filho mais velho, vitimado de câncer no pulmão, em muito havia contribuído para que sua doença se alastrasse. Necessitou de novos ares e com muita tristeza, mais uma vez, sentimos essa separação. Embora já estivéssemos casadas e fisicamente longe dela, com a venda da casa e sua saída definitiva, parecia que um cordão crucial de nossas vidas havia sido rompido.Hoje, distante, ainda doente, sem grandes possibilidades, já conta com mais de oitenta anos, conserva a alegria - sua eterna companheira - e a fé inabalável na vida, a certeza de que tudo é o que tem que ser.Como eu ia dizendo, hoje falei com ela por uns longos dez minutos e, como sempre, meu coração se encheu de fé e esperança.
Fonte da imagem:www.gfpessegueiro.com

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Meditando para que serve um Plano de Saúde, na sala de espera de um consultório médico


Um grande e comprido corredor nos levava a sala de espera.
Era uma sala retangular e nas paredes entrecortadas pelas portas de cinco especialidades – ginecologia, cardiologia,clínica médica,oftalmologia e endocrinologia – duas fileiras de cadeiras de couro sintético preto, conjuntas em oito, dispunham-se de frente umas para as outras, o que de certa forma, obrigava os pacientes que aguardavam os médicos a se olharem, mesmo sem querer.
Um revisteiro contendo mais folhetos informativos do que, propriamente, revistas, visava entreter os que ali estavam aguardando o chamado, mas de tão velhas, sujas e rasgadas, as poucas revistas, de tanto serem manuseadas mostravam-se desagradáveis ao toque.
Um decalque grande, fixado acima do revisteiro, mostrava um celular e solicitava o seu desligamento no local.
Devido as poucas cadeiras, mais da metade dos pacientes aguardavam em pé, como nós.
De quando em vez, ouvia-se a troca de pernas de alguns, que procuravam naquele desconforto uma forma melhor de posição.
Todos que ali estavam pareciam preocupados e na expectativa da consulta e era difícil distinguir os pacientes para cada sala, embora a diversidade dos consultórios pudesse ajudar nessa adivinhação.
Apenas um dos médicos se utilizava da ajuda da enfermagem para anunciar os pacientes. Considerando que a sala dos enfermeiros ficava em outro corredor, após a saída do paciente atendido, tínhamos que aguardar a vinda da enfermeira que, anunciava um novo paciente. Isto sem dúvida gerava uma morosidade e impedia a desocupação das cadeiras de uma forma mais rápida.
Pelas conversas quase em sussurro notava-se que a maioria tinha marcado seus horários o que não justificava tantas pessoas esperando há tanto tempo.
Se em algumas salas as consultas eram menos demoradas, não ultrapassando mais do que quinze minutos, o consultório da endocrinologia não fazia chamados senão de hora em hora. Estávamos ali, há pelo menos duas horas e meia, já havíamos sido atendidos na cardiologia, sendo o próximo passo a endocrinologia.Faltavam ainda quatro pacientes para essa especialidade, segundo nossa dedução e estimamos pelo menos, mais três horas ali, em pé.
A faixa etária que ali aguardava regulava entre 65 e 80 anos. Várias eram as bengalas de apoio entre as cadeiras e ouvia-se o ressonar de alguns já há algum tempo, o que fazia com que os chamados fossem repetidos por várias vezes. Apesar disso, incapazes fisicamente ou não, ali estavam sozinhos, o que estranhamos sobremaneira.
Nessa altura, ansiávamos por uma cadeira vazia e torcíamos para que as portas se abrissem, devolvendo à rua, pacientes já atendidos.
De repente, dois lugares vagaram e quando num salto só corríamos para elas, uma das portas se abriu e um menino de quatorze anos, acompanhante de sua tia-avó, clamaram pelos lugares, visto que a senhora tinha sido medicado e ali deveria aguardar o efeito do remédio, sob a proteção do garoto que lhe segurava as mãos, acalmando-a todo o tempo.
Continuamos ali, em pé, por mais meia hora, até que fôssemos chamados.
E aí perguntamos – adianta hoje, nesse país, termos planos de saúde e consultas devidamente marcadas?

Fonte da imagem: www.cto.med.br

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Hoje é dia de pânico


Pelo menos, para mim, é assim, todos os meses, quando eu tenho que ir a um Banco movimentar o famigerado provento da aposentadoria.Às vezes penso se tal pânico vem lá de dentro, do âmago, por não saber como esticar a pequena quantia e cobrir as necessidades básicas ou se vem mesmo da violência atual.No momento em que saio de casa, não me importo com a razão real, prefiro atentar para o que aparece em minha mente, de forma superficial: a violência que assola o país.Chego a apostar que em outra época de minha existência já fui assaltada e espancada, tamanho é o meu pavor nessa situação.Prefiro ir a pé para relaxar enquanto caminho e observo-me no percurso: músculos da face tensos e rígidos, sem se permitirem ao menos um sorriso disfarçado, se encontro um conhecido, as pernas pesam, negando-se a ir em frente e chego a despender o dobro do tempo até o local, mesmo indo apressadamente.O medo me persegue e ao abrir a porta e adentrar o Banco, meus olhos e toda a minha fisionomia demonstram esse medo. Chego a perceber que as pessoas, ao me olharem, mostram surpresa e algumas assimilam meu pavor ficando também assustadas.Vou em busca da senha rezando por obter um número próximo e também para que o sistema não saia do ar até chegar minha vez. Como sempre, observo, da ala em que estou, gente de toda a espécie, de idade avançada. Na minha faixa de idade posso perceber não mais de três pessoas.Inquieto-me porque visualizo aquele velhinho que habitualmente esquece a senha e depois da quinta tentativa entrega seu segredo ao caixa que, encabulado, prossegue no atendimento sob a reclamação dos demais. Vejo também a mesma senhora de lábios agressivamente pintados de vermelho que, na vez anterior, preencheu os trinta minutos de espera contando-me todas as cirurgias que já fez em minúcias e fujo dela, porque no seu único interesse de falar, nem percebeu o meu desagrado no assunto e, por certo, se eu ficar perto, vai repetir a dose.Um pouco mais na frente, uma mãe com olhar sofrido tenta doutrinar a filha, deficiente mental, para que se acalme, enquanto um dos clientes que recebeu um forte chute da menina nas pernas foi se queixar ao gerente.Tudo é tumulto nesse pequeno espaço.No físico e na minha mente.As figuras, enquanto aguardam a vez, se atropelam e se cuidam entre si para não perderem o número no painel. Falam demais, para minha agonia.Meus olhos percorrem tudo com desvairada atenção.Para mim, a qualquer momento, um bando de assaltantes, com fuzis e pistolas em punho, vai manter todo mundo no chão, enquanto esvaziam os caixas.Sempre é a mesma coisa. Tento me acalmar, me convencendo de que tudo é fruto de minha imaginação e não percebo que chegou a minha vez, até um velhinho de rosto redondo e vermelho gritar: olha o 316, morreu ou está aí?

Fonte da imagem:www.psicenter.psc.br

sábado, 3 de abril de 2010

Chuva


Estamos em janeiro, mas chove. Chove muito. Parece que o tempo, o clima, não se compraz em fazer feliz aqueles que escolhem esse período para o divertimento.Como se deliciar na piscina com esse friozinho?Como correr em volta do prédio e sentir o suor do esforço escorrendo pelo rosto?Como vestir o traje branco, sumário, combinando com a sandália da moda e sair a passear até o restaurante próximo?Como escorregar os pés na areia branca, seca e quente da praia?Parece que todos os prazeres esperados o ano inteiro têm que se internar em si mesmos e ficar à espera.O céu, sei lá o quê, ainda brinca de esconde-esconde e lança modestos raios de sol e claridade em meio à chuva fina, de quinze em quinze minutos.Na ânsia de que o tempo se firme, sem crer nos prognósticos da meteorologia que anuncia mais chuva, os mais crédulos desenham “sóis” gigantescos no chão e nada…Já lá se vai mais da metade das férias e vamos nós, guardando para o próximo ano, tudo o que nos prometemos curtir em janeiro.Diante disso, só temos uma única certeza: o primeiro dia de volta às aulas ou ao trabalho, no retorno das férias, será de sol escaldante!
Fonte da imagem: apenasumolhar.blogs.sapo.pt

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O triste fim de alguns



Numa roda de amigas, tres delas casadas e como eu, com os maridos já mais velhos e dando sinais de um envelhecimento, tudo girava em torno da paciência que tinham que desenvolver para aturar as manias que agora se apresentavam em profusão e incomodavam por demais seu dia a dia. Sua reclamações não eram simples reclamações, mas sim, deixavam transparecer um desejo latente de se verem livres daquelas "malas" em suas vidas.

Como se fosse um discurso já treinado, enumeravam coisas iguais - como um rádio com o som muito alto, dificuldade de usar roupas mais novas, formas de comer indevidas em público, dificuldade de ouvir o que elas diziam e sobretudo, um hábito diário de isolamento delas - e nenhuma apreciação por saidas em grupos, coisa que as fascinavam.

Ouvia eu muito atenta aquilo tudo e tristonha me perguntava onde está o amor incondicional ?

Constato que é comum as pessoas amarem o bom, o fácil, o perfeito e lamento profundamente que um homem que muitas das vezes foi o provedor único dos desejos daquela mulher, nem de longe disconfie que agora, um pouco mais alquebrado, possa servir de chacota no seu próprio meio social e familiar.

Fonte da imagem:luciamrusso.blogspot.com

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Insônia x Flamengo


Sempre me orgulhei de ter um sono tranquilo, pesado e constante durante toda a madrugada.
Hoje percebi que algumas coisas começam a mudar. Essa noite não foi assim. Inexplicavelmente, passei toda a noite em estado de alerta, sem um pingo de sono.
Nas primeiras duas horas de vigília forçada pela falta de sono, tentei imaginar o porque. Não era admissível que o meu corpo, cansadíssimo dos passeios do dia, não reclamasse pelo seu descanso, sem a mente a lhe provocar, impedindo-o de ali ficar somente se recuperando da energia gasta pela atividade fora da rotina. Não consegui explicação. Nas horas seguintes atribui o fato a alguma preocupação inconsciente, ao que imediatamente rebati, posto que utilizo o sono para a fuga dos problemas mais corriqueiros. Se preocupada estou com o que quer que seja, aí durmo muito mais. Continuei sem explicação.
Com o marido ao lado, ressonando tranquilo e ao fundo uma briga de casal em um apartamento próximo, consegui enfim entender o porquê de não ter conciliado o sono - a discussão do casal -
Ontem,como todo mundo sabe, foi jogo do flamengo e quase toda a população do Universo gritou mengo o dia todo. O vizinho, flamenguista doente, não perdeu a oportunidade de assistir a partida no Engenhão que, para minha tristeza, a Prefeitura colocou a algumas quadras da minha residência. Com certeza, deixou mulher e filhos em casa sozinhos, nesse domingo lindo, de calor. Como não poderia deixar de ser, chegou em casa "tocado" pela bebida e pela alegria do seu time de coração ter ganho do adversário, que, para dizer a verdade, nem sei qual foi.
Enquanto ele se divertia a mulher em casa, engolia a raiva sentida durante todo o dia, apenas esperando-o para revidar. O infeliz ou feliz, chegou em casa quase meia-noite, hora em que se iniciou o embate. O silêncio da noite trazia essa "família" para dentro do meu apartamento e junto com ela os palavrões e todos os barulhos agregados, provocados por cadeiras e almofadas voando uns contra os outros. E olha que a "guerra" ocorria no último andar do prédio em frente.
O relógio já batia cinco horas da manhã quando eu, finalmente, consegui conciliar o sono.
Viva o Flamengo!
Fonte da imagem:futebolnegocio.wordpress.com

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O poeta e eu


Fico aqui pensando que a sensibilidade de um poeta é por demais avassaladora. E olhem que por experiência própria, posso afirmar que essa sensibilidade vai às raias do inexplicável.

Em todos os campos, em todas as matérias, em todas as situações de vida, são intensos por demais em sua análise.

Parece que querem extrair da vida sua forma humana e pintar de acordo com os seus olhos de mel o que há ao redor, ao seu bel-prazer.

Acompanhar um poeta nessa trajetória é, com certeza, uma viagem a um caminho sem volta, onde em certos momentos procuramos uma parte de nós e não a encontramos.

Aqueles que não vêm para a vida com esse dom, vêem a vida com mais simplicidade, acreditam no que vêem, sejam coisas boas ou más. Mas o poeta não, quer ver rosa no cinza e sofre.

Quer a sua volta seres especiais, sem quaisquer erros, como se pudéssemos extrair do ser humano hábitos corriqueiros e sutis.

Planejam, como numa escrita, sua própria palavra, fazem do seu caminhar algo surpreendente como o verso que compõem em cada ato de vida.

Penso que talvez num balanço diário, apesar de tudo, ainda sofram muito menos que nós, pobres mortais que, mesmo se atropelando, vão organizando a vida, às vezes mais preta do que azul.

domingo, 13 de setembro de 2009

Fim às novelas!



Enfim, terminou mais uma trama na TV.Ontem, após o último capítulo da novela "Caminho das Indias" prometi a mim mesma que, apesar das belas chamadas para a próxima novela, eu não vou me prender mais à TV naquele horário fatídico em que quase toda a população esquece sua própria vida e passa a viver aquela dos personagens.

Recordo-me de que é sempre assim - vibramos, sofremos, nos alegramos e traçamos o destino de cada um, fantasiando a partir de nossas crenças, durante todo o período de exibição.

Ficamos impacientes com as cenas desprezíveis, ansiamos por um alongamento naquelas de maior impacto e nada disso ocorre. E por incrível que pareça nunca podemos assistir o último capítulo. Sempre acontece qualquer impedimento e só na repetição no dia seguinte, podemos dar fim aquela expectativa que nos acompanhou por meses a fio.

Como se não bastasse, vários são os personagens que desaparecem na trama, sem uma conclusão favorável aos nossos anseios.

Com toda a nossa compreensão de que é absolutamente necessário que isso ocorra para a tão proclamada audiência, fica aquela sensação de frustração que, com certeza ainda vai nos acompanhar por mais alguns dias.

Por isso, decidi - fim às novelas!

Fonte da imagem: tvbrnoticias.blogspot.com