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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Salve 27 de setembro!

Desde há muito tempo, sou uma fiel seguidora dos Santos Cosme e Damião. Já lá se vão mais de trinta anos que eu, religiosamente, distribuo doces em homenagem aos dois e às crianças que foram. Se algum motivo me impede de fazê-lo no dia vinte e sete, o faço no dia doze de outubro, das crianças.
Desde pequena curto aquela correria nas casas vizinhas, visto que na minha época de criança, na rua em que eu morava, as casas predominavam. Ouço ainda aquele seu ruido gostoso, fazendo fila, a mando das senhoras que faziam a distribuição, que, mesmo praticando um ato que envolvia os santos, se negavam terminantemente a ceder um saquinho que fosse a alguém , mesmo faminto, que não fosse criança. Até os adolescentes que traziam pelas mãos irmãos menores, ficavam fora desse favorecimento.
Lembro que na esquina da rua ficava o único prédio do quarteirão. Lá morava uma senhora de uns setenta anos, já viúva e sem filhos que distribuia semanas antes da data, na porta do prédio, cartões para a coleta dos sacos no dia vinte e sete. Esse era o mais precioso para nós. O saco era bem grande, pois abrigava, unicamente, um pão doce de uns vinte centímetros de comprimento, recheado de goiabada e coberto de glacê. Lembro que deixávamos para trás, qualquer outro recebimento, mas aquele nunca. Sonhávamos já de véspera com aquele presente, pois a cada ano se apresentava de forma diferente.
Lembro também de um dos meus irmãos saindo e voltando várias vezes para casa com os braços cheios de saquinhos coloridos com a imagem dos santos. Lembro também que ao pedido dos irmãos menores de ganharem apenas uma cocada que fosse, mandava que aguardassem até a noite para a distribuição. Aquele monte de sacos era guardado fora do alcance de nós todos até depois do jantar que, de banho tomado, sentávamos em volta dele que, pacientemente, separava diante dos nossos olhos atentos, os doces embrulhados, as balas, etc... acondicionando-os em potes com tampa, classificados devidamente.
Depois de fazer um balanço da sua coleta, aí sim , permitia que fizéssemos a festa, sob a permissão de minha mãe sobre o que cada um poderia comer. Essa regra que ele nos impunha, hoje nos traz lembranças adoráveis quando, como agora, aqui, da minha janela, observo as crianças correndo em busca dos doces.
(Adir Machado Vieira Queiroz da Silva - 30/09/2009)
Fonte da imagem: coisitasdacris.blogspot.com

Um comentário:

  1. Olá, Adir
    Vim agradecer a sua visita a um dos meus blogs, e conhecer seu espaço.
    Gostei muito do que vi, embora seja uma visita não muito demorada porque o meu tempo, presentemente, é muito pouco. Não vou dizer porquê :))) Se quiser saber terá que ir aqui A CASA DA MARIQUINHAS

    Gostei imenso deste seu último post. Desconhecia completamente um costume que acho muito interessante, esse de se oferecerem doces às crianças no dia 27. Todos os dias aprendemos qualquer coisa...

    Vou me fazer sua seguidora, para podermos continuar a visitar-nos.

    Beijinhos

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