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domingo, 5 de julho de 2009

Minha querida mãe


Quando me dei conta, já estava chorando compulsivamente.
Algum dos irmãos falou na retirada dos ossos e aí foi que me dei conta da sua morte real.
A cirurgia de risco do meu marido, uma semana depois da sua morte e tudo o que advém de uma situação como essa, não me deixou viver o doloroso momento de sua partida e durante esses quase três anos, amorteci minha saudade, tentando ver o fato como natural.
Não quero dizer que várias vezes não me peguei derramando lágrimas emocionada, lembrando dos fatos mais sutis que compuseram nossa vida, mas ontem foi bem diferente.
Em alguns poucos minutos, revivi sua ida derradeira, numa maca de ambulância, revi seus olhinhos espertos a nos olhar, tentando entender o que ocorria ou tentando nos explicar que não voltava mais?
Como num passe de mágica, relembrei os cuidados, os ensinamentos, os incentivos e até mesmo os puxões de orelha, quando merecíamos.
Observei a minha volta e visualizei o patrimônio que deixou – uma família unida, completamente comprometida com suas diretrizes – como ela sempre desejou. Porque como mãe, ninguém sentiu ou soube mais do que ela. Não cursou nenhuma faculdade, mas era phD nesse mister e nas lições de vida.
Desde a sua morte, inconscientemente, a elegi minha santa devota, colocando sua foto no pequeno altar, junto aos demais, mas hoje, especialmente hoje, nesse choro compulsivo, sofrido, atrasado, vindo do âmago, como a pedir socorro para se externar, entendi exatamente o porque dela ter ocupado o lugar de Deus na minha vida.
Fonte da imagem: issoebossanova.blogspot.com

4 comentários:

  1. Diza,
    Sei exatamente o que você está sentindo porque comigo esse processo começou de imediato e, há quase tres anos, eu tento me acostumar com a realidade da perda da Mamãe.É muito difícil, mas penso que seja proporcional ao que ela representa nas nossas vidas. Agora é uma saudade mais tranquila, mas nem por isso menos intensa. Sinto que de onde ela estiver, continua iluminando, esclarecendo e cuidando de todos nós, que aos poucos vamos melhorando como pessoas. Um beijo.

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  2. Alba,
    Emocionada ainda, digo obrigada...
    beijos,
    Diza

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  3. As pessoas a quem amamos, creio que há um fio que nem a morte consegue romper. E quando se trata de uma mãe, aí sim que esse fio se torna mais forte, resistente e indestrutível.


    Certamente, onde ela estiver, está te vendo não apenas por uma visão parcial como as nossas, mas sim uma visão completa e universal, que prevê as dificuldades e te conduz pelos caminhos certos. Acredito piamamente nisso!

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  4. Caro Agostinho,
    Obrigada pelo seu comentário nesse momento de emoção.
    Grande abraço,
    Adir

    PS Seu blog está bombando. É nosso companheiro diário. Rimos e nos deliciamos com seus posts.

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