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terça-feira, 21 de julho de 2009

A história do burrico


O Sol estava a pino e pequenas e constantes gotas de suor, cobriam meu rosto, enquanto eu tentava desamarrar daquela árvore, ali no imenso pátio da chácara, o burrico manso que ficou ali esquecido pelo caseiro desde as onze horas da manhã.
Enquanto minhas tentativas não logravam êxito, eu lhe dava água e conversava com o bicho que, aquela altura, já a recusava, demonstrando que seu único desejo era correr pelos campos, haja vista tanto tempo ali ficou aprisionado.
O nó da corda era firme e exigia mãos fortes de um homem do campo para desatá-la e eu com minhas mãos femininas e frágeis, percebi ao longo de mais de vinte minutos que jamais conseguiria.
Já eram mais de quatro horas da tarde e empregados das cercanias já tinham deixado seu posto.Àquela hora, moradores do local não costumavam estar presentes nas áreas externas, pois era comum se reunirem na grande sala de jantar para o lanche da tarde.
Caso eu chamasse alguém não seria ouvida pois minha voz se perderia naquela imensidão.
Como estava a caminhar pelas redondezas, não tinha comigo os apetrechos necessários, como tesoura e faca, para dar a liberdade ao burrico.
Agora, talvez sentindo que eu não o salvaria, desalentado, o coitado se estirava na grama seca e quente com choramingos característicos da dor que sentia por estar ali há tanto tempo.
Olhei ao redor e nada, sentei-me na grama e minhas roupas me protegeram, impedindo que eu sentisse a dor que o bichinho sentira. Pensei mil formas de libertá-lo, todas sem sucesso.
A cada tentativa, mais e mais o bicho se debatia, como a me pedir que não buscasse mais a salvação. Observei que naquele vai e volta perdi umas duas horas, quando me vi uma vermelhidão só, com o rosto em brasa. Tentando salvar o burrico, também trouxe para mim as mesmas dores e o sol não distinguia personagens naquela história.
De pronto esqueci o burrico, lembrando apenas de mim mesma e da minha tremenda ignorância.
Ato contínuo, danei a correr pelos pastos em direção à casa e em apenas quinze minutos me salvei e salvei o burrico, chamando o caseiro para soltá-lo.
Na maioria das vezes na vida, buscamos formas complicadas de solução para os problemas, quando julgamos sermos capazes de soluciona-los sem ajuda.
Fonte da imagem: maniadecaixinhas.blogspot.com

2 comentários:

  1. Diza,
    Sensacional! Adorei essa fábula que nos traz uma reflexão importantíssima, principalmente para os que se julgam auto-suficientes. Na vida todo mundo precisa de todo mundo e é bom lembrarmos disso e pedirmos ajuda sempre que necessário. Beijo

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  2. Obrigada Alba, pelo seu comentário.
    Bjs,
    Diza

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