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quinta-feira, 24 de março de 2011

Meu boneco preferido

Não sei se foi admirando da janela as crianças no pátio e seus vários brinquedos modernos ou não, mas ontem me veio à mente meu boneco preferido. Tinha que ser, pois era o único que eu poderia ter naquele momento.
Diante de mim ele surgiu exatamente como era. Um ser quadrado, molengo, de tecido amarelo que era um travesseiro e se tornou boneco. Suas formas foram adquiridas pela fita grossa amarrada no meio do seu corpo, formando sua cintura. Olhos, boca e nariz eram pintados para o tornar uma pessoinha pronta para eu brincar. Sua grande diferença era sua fofura. Seu corpo cheio de flocos de espuma era moldável aos meus abraços e sua cabeça apenas com um toque caia por sobre meus ombros, tal qual os bebês da vizinhança faziam nos colos de suas mães.
Lembro como ele surgiu. Tinha eu uns cinco anos e vivíamos um momento de vida, onde todo o ganho de meus pais eram comprometidos com o básico para suprir alimentação e escola dos filhos e com isso não sobrava nada para brinquedos. Bateu uma vontade muito grande de possuir um boneco e vivíamos eu e minha irmã, requisitando à minha mãe um igual aos das crianças amigas. Tanto insistimos que minha mãe, sábia como era, nos engambelou que ela ia fazer uma mágica e dali ia surgir dois bonecos maravilhosos, os mais bonitos que ela tinha visto. Como confiávamos demais em nossa mãe, com os olhos arregalados acompanhávamos sua habilidade em transformar aqueles travesseiros em bonecos. A cada movimento, íamos imaginando como ficaria. Ao término, já estávamos crédulos da verdade de sua afirmação e sem qualquer dúvida, deixaríamos qualquer outro por aqueles.
E assim, ele foi meu boneco preferido e único, por mais de um ano. Essa é a magia que faz falta nos tempos de hoje.
(Adir Vieira - 06/12/10)
Fonte da imagem:artesanidade.blogspot.com

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