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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Ausência


Era sempre assim que acontecia.

A urgência de realizar nossos sonhos adolescentes sempre nos levava, antes, a tentar sentir, através da mãe, sua aceitabilidade.

Às vezes sonhávamos juntas, eu e minhas irmãs, quando nosso sonho atingia apenas a ida à casa de um parente próximo.

Às vezes sonhávamos separadas, imaginando uma praia deserta, bem distante, onde a sonhadora e seu príncipe encantado viveriam, longe de tudo, seus momentos especiais.

Não importava qual sonho era, se banal ou inatingível.Sabíamos, antes de tudo, que aquele olhar perscrutador estaria ali, presente, no momento de pedirmos autorização para vivê-lo e em alguns segundos desistiríamos do sonho, tamanha seria a insalubridade de sua beleza quando esmiuçado por aqueles olhos nos fazendo do mesmo abrir mão.

Era sempre assim. E o pior é que tínhamos a certeza, e a temos até hoje, de que precisávamos ser “protegidas”… Existiriam sempre bandidos de alma a nos aguardar, existiriam sempre percalços desnecessários de viver, existiriam sempre lágrimas a derramar se não aceitássemos, de pronto, sua justificativa para não o permitir.

Hoje podemos sonhar e viver qualquer sonho, mas como ir em frente, se faltam aqueles olhos para nos abençoar?

Fonte da imagem: sol.sapo.pt

Um comentário:

  1. Diza, me emociono sempre que leio esse texto que fala da falta e imensa saudade da Mamãe. Os olhos dela eram o nosso farol, a proteger nossos caminhos, iluminando. O texto ficou lindo, de muita sensibilidade. Beijo.

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