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terça-feira, 27 de outubro de 2009



Sei que às vezes bate uma vontade louca de extrapolar. Ignorar prazos, horários, programações, mas, é muito difícil levar essa irrevelia à frente, quando durante toda a vida fomos basicamente treinados para seguir o mundo, de acordo com o mundo.

Talvez tenha sido isso o que me levou a pensar em como essas situações, na vida, não são tão raras.

Tenho assistido à minha volta, casos e mais casos em que essa extrapolação se dá de uma hora para outra, sem avisos sequer.

A nós custa crer que aquele ser perfeitinho, completamente dentro dos parâmetros traçados pela família e pela sociedade, tenha se tornado num piscar de olhos, naquela pessoa irreverente e absolutamente sem compromisso com o mundo.

Não sei se é a mudança de comportamento dentro do mesmo corpo, ou se é a própria forma de se comportar que causa estranheza, mas o que sei é que essa nova performance assusta.

Às vezes penso que o ser humano sempre viverá em busca do que ainda não foi ou não fez e, pode ser normalíssimo viver o não vivido, mesmo em formas radicais. Vai depender do almejado, se for estranho ou não.

Tive prova disso, assistindo uma entrevista na TV que mostrava uma anciã, sem cara nem jeito de anciã, aos setenta e nove anos, exibindo um corpo sarado e totalmente tatuado, gabando-se de que passava as madrugadas nas baladas e ainda viajava na garupa de motos dos rapazes adolescentes, seus colegas de "festa". A despeito de sua grande alegria e exuberante vitalidade, ainda sim, por não ser comum, causa estranheza.

Essa mesma senhora como a explicar-nos sua mudança comportamental, fazia questão de mostrar fotos dos tempos de jovem, de sua época de casamento, enfim, de vários momentos de sua vida certinha anterior e, a todos nós, pareceu estar mil vezes melhor agora, diante de toda a sua radicalidade.

Com meus pensamentos vagando em busca do que a modificou , acerto em cheio na minha hipótese - a busca do vigor físico, a busca da alegria de ser jovem, a busca da felicidade sem compromissos, a busca do viver por viver.

Graças a Deus, ainda existem pessoas que, não dando asas a preconceitos baratos, conseguem se realizar, mesmo que seja lá no "finzinho".

Fonte da imagem: mixdeinformacao.blogspot.com

2 comentários:

  1. Adir!

    Perdão pela "ausência". Sempre leio os blogs, embora sempre falte o tempo "necessário", para comentar e agradecer o carinho de tantos amigos.

    Com referência a esse assunto de hoje, vi semana passada uma série do "Bom dia Brasil", da Globo, abordando vários aspectos da terceira idade. Entre tantas coisas, algumas me emocionavam, mas também houve o que me causava estranheza. Essas pessoas, como a velhinha tatuada, precisariam descobrir que a "beleza" não consiste em querer ser o que não é ou o que não se pode mais ser, mas sim em usar a vitalidade, para ser exatamente o que é! Que grande contribuições estariam dando a todos.

    Sobre esse assunto, vê entre os blogs que acompanho, o "Longevidade", da Sílvia Masc, de São Paulo. É muito bom.

    Abraços a você e ao Jorge!

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  2. Querido Agostinho,
    obrigada pelas suas palavras e pela sua visita constante.
    Seu blog instrui e diverte e estamos diariamente com você, apesar da falta de tempo não nos permitir às vezes, comentar.
    Abraços,
    Adir

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