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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Luvas, pra que te quero?



Abro uma de minhas gavetas. Aquela que guarda as relíquias, como cartões de amigos, santinhos, grampos de cabelo com strass, enfim, pequenas miudezas que só vem à tona, uma ou duas vezes por ano, em época de faxina geral. Sem querer, dou de cara com um par de luvas brancas de renda vazada, com um botãozinho de pérola próprio para o abotoamento no pulso.
Num piscar de olhos, volto no tempo e vejo-me ao vivo e a cores, com nove anos de idade, no teatrinho da escola pública. Meus cabelos encaracolados e compridos, faziam uma moldura para o rosto rosado e redondo. Eu representava uma daminha e entrava num salão finamente decorado, dirigindo-me a uma senhora à moda antiga, sentada num divã e dizia: - boa noite Dona Gertrudes. Essas eram as únicas palavras ditas por mim e como levei tempo para decorá-lo no tom desejado pela instrutora.
Lembro-me dos dias anteriores ao espetáculo e revejo minha mãe preocupada em arranjar vestido, chapéu e as tais luvas. Vejo-me experimentando o traje e ensaiando todas as tardes na mesa da cozinha. Num piscar de olhos vejo mãe,pai e irmãos menores na platéia do pequeno teatro, com os olhos fixos na cortina e do sorriso nervoso quando terminei minha apresentação.
E aí eu pergunto, luvas pra que te quero? Ao tempo em que respondo – para no futuro, lembrar novamente desse doce momento da minha vida.
Fonte da imagem: artedekor.nireblog.com

4 comentários:

  1. Nossa vida segue os ensinamentos do mosaico, somos uma pluralidade dentro de cada singularidade....

    O plural somente consegue ser em seu essencia de a singularidade de fato ser respeitada....

    Dentro da singularidade de cada peça do mosaico, ela precisa viver a sua singualridade e dentro dela se unir as outras singularidades transformando-se assim em um plural, mesmo sem deixar de ser singular.....

    Nossa vida tambem é assim, lembranças fragmentas de momentos bons e ruins, um bilhete já rasgado que encontramos na gaveta perdida, um cartao esquecido no bau ou ate mesmo uma luva de nossa infancia...

    Cada um desses fragmentos representam um momento de nossa vida e sem esses momentos passados, bons ou ruins, com certeza não seriamos quem somos hoje......

    Por isso, as luvas amiga, alem de servir paralhe lembrar no futuro, ela serve para voce reafirmar sua singularidade hoje, mesmo dentro da pluralidade de sua familia e sociedade.

    Abraços

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  2. ola amiga ao ler seu texto voltei com voce ao passado nao revi as luvas mas revivi com as suas luvas a minha infancia.
    Como podes ver a importancia da escrita esta em nos fazer sonhar, viajar no tempo e no espaço.
    uma graça a crônica linda

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  3. Puxa!
    Eu sou meio contrário a ficar guardando "relíquias"; mas concordo que há algumas que falam direto ao coração - ainda tenho o 1o. relógio que ganhei dos meus pais, ao completar 10 anos, por ser considerado um menino ajuizado e merecedor (?). Código de família, sabe? Até hoje o meu mano caçula dá um relógio para cada sobrinho que completa 15 anos (por enquanto só meus dois filhos mais velhos chegaram à marca) simbolizando a mudança de fase na vida deles (e não é p/ me gabar, mas os considero merecedores...). Veja, suas luvas me fizeram lembrar desse marco que temos por aqui...
    Gde abç, ótimo carnaval.
    Adh

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  4. Diza, cadê você que não tem postado nada?
    Estamos sentindo falta de seus escritos e da sua alegria.
    Volte logo.
    O Jorge também deve estar achando estranho você não escrever mais. Vocês têm muito a dizer e nos alegram muito com tudo que manifestam de amor, amizade, ensinamentos, experiência.
    Beijos pra vocês.

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