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domingo, 24 de abril de 2011

Como celebrar a Páscoa se não se celebra a vida?

Hoje comemora-se a Páscoa e em todas as famílias, cumpre-se o ritual ensinado. Os religiosos encaminham-se às casas de prece desde a sexta-feira. Os menos religiosos, viajam para descansar da labuta diária ou programam aquele almoço de Páscoa. Raras são as crianças que envoltas na busca dos ovos de chocolate, sabem exatamente o sentido da data. O comércio comemora. Mas como andam os nossos coraçoes? Como anda o nosso amor pelo próximo?
Ontem revirando meus guardados, encontrei esse belo e verdadeiro texto de Adenáuer Novaes e creio que não há uma data mais significativa para dividi-lo com vocês, porque, sem dúvida, em todas as famílias existem pessoas idosas que deveriam viver apenas do nosso amor.


"A psiquê do idoso se encontra num nível de saturação psíquica que necessita de alívio constante por parte daqueles que lhes assistem. Os processos psicológicos em que se envolveu durante sua encarnação, os quais geraram repressões e tensões dos mais diversos tipos, sobrecarregaram a psiquê, que precisa de tranqüilidade e descanso para suportar uma desencarnação o menos traumática possível do ponto de vista psicológico.
O ego se encontra de tal forma enrijecido em seus procedimentos e padrões cristalizados ao longo da vida, que se torna quase impossível qualquer mudança ou transformação efetiva.
A psiqué, por se encontrar sintonizada com o corpo, acomoda-se à espera da desagregação celular como um alívio para seu cansaço mental. Sua criatividade será exceção, tendo em vista o domínio que certas preocupações passam a ter na consciência. Na maioria dos idosos a melancolia, as mágoas, as queixas e lamentações impedem o livre exercício do ato de pensar.
Tornam-se prisioneiros de seu passado, que se configura como um complexo, o qual rouba energia da consciência. Vive envolvido em suas lembranças tendo em vista o desinteresse pelo momento que vive e pelo pouco caso que as pessoas demonstram, na maioria das vezes, para com eles. A sombra, via de regra, poderá ser adequadamente assumida, caso uma de suas personas não lhe tenha tomado demasiadamente a consciência.
Para que a velhice não lhe venha a ser um peso e a consciência não se sobrecarregue com preocupações desnecessárias, devem os filhos assumir o lugar de pai e mãe deles, quando necessitem, provendo-lhes do melhor que puderem.
Ao chegar à idade do corpo físico na qual o espírito se considera e é chamado de idoso, ele se coloca geralmente numa postura de quem pretende ser atendido em suas necessidades e reconhecido em seus valores. Nem sempre isso ocorre em família, pois geralmente cada pessoa está preocupada consigo e com seu próprio futuro. A maioria acha que o idoso já viveu o que tinha que viver. As vezes, pode-se encontrar filhos que desprezam seus pais quando eles alcançam aquele estágio de vida.
O reconhecimento que se pode atribuir ao idoso geralmennte é deslocado para seus filhos ou seus descendentes. Ele geralmente é relegado a um plano no qual não restam alternativas senão esperar a morte.
Pelo acúmulo de conteúdos inconscientes o idoso é alguém que geralmente possui muito a desabafar. Nem sempre porém ele encontra interlocutor. Por esse motivo prefere, às vezes, falar sozinho ou viver de suas recordações.
A família deve ter um cuidado especial quanto ao idoso.
Abandoná-lo ou colocá-lo num asilo quando se possa cuidar dele é faltar com a caridade.
Nossos pais idosos são espelhos de nosso futuro. Merecem, mesmo que não tenham conseguido corresponder a isso, todo nosso respeito e cuidados possíveis.
Trata-se de um espírito que está na iminência de retomar à sua verdadeira morada e necessita, para isso, de tranqüilidade e paz. Quanto mais favorecennos seu estado psíquico de tranqüilidade e harmonia, melhor será para ele seu retorno e para os que ficaram. Seu bom estado na idade de idoso como também após seu desencarne permitirá a emanação de vibrações benéficas a todos no ambiente da casa.
Os cuidados que um idoso requer, os quais de certa forma podem parecer penosos para alguns, possibilitam a quem lhe é responsável o exercício da paciência e da tolerância. Mesmo que o idoso seja mal agradecido, não reconhecendo o que façam, valem a pena os esforços em lhe dispensar cuidados.
Devem os filhos tudo fazer para tornar a vida do idoso mais agradável, proporcionando-lhe satisfação e alegrias para que cumpra sua encarnação e o que lhe resta dela sem tristezas ou depressões. Os filhos têm o dever de amparar seus pais na velhice sem lhes cobrar nada, mesmo que não tenham sido bons pais.
A terceira idade é assim chamada quando as pessoas ultrapassam aproximadamente os sessenta e cinco anos e já não têm os mesmos compromissos típicos das idades anteriores, como: trabalho, educação de filhos, busca de identidade pessoal dentre outros. Geralmente estão buscando usufruir o que conquistaram até então.
Não raro, encontramos casais, os quais com o passar dos anos de convivência, apresentam uma certa hostilidade incompreensível para aqueles que não lhes conhecem a intimidade. Mágoas e raivas acumuladas por muitos anos, em dado período afloram, como se toda a vida do casal tivesse aquele formato contencioso. Parece que todas as insatisfações da vida são descarregadas no outro.
Evitam-se, não se cumprimentam ou o fazem friamente, dormem em camas ou quartos separados, falam mal um do outro para terceiros, reprisam antigas acusações, guardam velhas mágoas, acreditam que o outro o controla, culpam um ao outro pelos insucessos dos filhos, descarregam a sombra pessoal no outro, enfim: o outro é seu inferno e sua desdita. Muitas vezes as causas se somam e não se devem apenas a um fato isolado. Uma ocorrência pode ser apenas a gota d' água. Às vezes, o casal envolve os filhos na comenda buscando, um e outro, aliados em suas reclamações para fazer valer as alegações contra o cônjuge.
Às vezes, os filhos não sabem o que fazer. Tentam contemporizar para evitar um mal maior. Seus pais se odeiam e eles não sabem como agir. Por vezes, inadequadamente, evitam até a visita à casa dos pais para não presenciar brigas ou ouvir lamentações repetitivas que já não suportam mais.
Quando são espíritas pensam em obsessão. Outros pensam que é esclerose, buscando, quando não esquecem os pais, na maioria dos casos, auxílio médico e espiritual. A terceira idade, que deveria ser a melhor idade, torna-se o pior da idade.
Muitos filhos não têm paciência com seus pais idosos.
Acham que a conversa deles não é mais agradável e que não vivem mais a realidade. Dizem que o tempo deles já passou. Não lhes dão ouvidos às ponderações por achá-las ultrapassadas. Nem sempre lhes abraçam ou beijam-lhes em cumprimento ou em momentos diários.
Talvez achem que eles não precisam de carinho ou atenção. Quando adoecem deixam que apenas um dos filhos, aquele que 'tem mais jeito', tome conta. Nem sempre querem levá-los ao médico. Dizem que não têm tempo, pois são muito ocupados.
Pobres pais cujos filhos não lhes dão atenção nem lhes retribuem o que receberam na vida. Pobres filhos que assim agem.
Tolerância, paciência e amor, eis o que precisa o idoso, assim como qualquer ser humano. "

Fonte da imagem:ronitaeliane.blogspot.com

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