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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A menina e a prova difícil

Todos os dias, o mesmo ritual se dá.
Sempre no mesmo horário, o ônibus escolar pára rente à calçada e, pelo menos a fiscal aguarda uns três minutos para que ela, com toda a calma aparente, se desprenda do cinto de segurança e caminhe pelo corredor, como se fora uma passarela, portando sua pesada mochila e o inseparável casaco, faça frio ou não. Sinto que o agasalho para ela, substitui naquele trajeto, o abraço caloroso da mãe a protegê-la.
Desce enfim do ônibus e com um sorriso enigmático, tal qual o da Monalisa, encaminha-se para a tia que, ignorando o fato de ela ser uma quase adolescente, recepciona-a com todos os "inhos", agora tão impróprios para a sua idade.
Livre dos vizinhos e agora já dentro do elevador, ela faz a pergunta principal do dia, tentando adivinhar o que terá para o almoço, sua preocupação permanente, já que tem ordens expressas do pai para não exagerar nas gulodices impeditivas de uma boa saúde.
Hoje, no entanto, desde as primeiras horas da manhã, a tia não consegue esquecer que "aquela nota da prova" tão necessária para que ela permaneça na média, já que escorregou feio na prova anterior, seria divulgada pela professora.
A tia, hábil que é, e não querendo feri-la, na possibilidade de um resultado negativo, espera o melhor momento para inquiri-la e ela, esperta que é, finge não perceber a ansiedade da tia, parecendo saborear aquela vitória sagaz.
A menina entra em casa, troca de roupa, senta-se à mesa para o almoço e ambas caladas, vivem situações diversas em pensamento.
A menina sorri internamente esperando o primeiro passo da tia.
A tia já visivelmente ansiosa, não desvia os olhos da menina, em busca de qualquer informação a respeito do resultado da prova.
O imediatismo da menina, no entanto, não permite alongar aquela situação e, de pronto, sai da mesa e saca da mochila a prova tão esperada, exibindo 84 pontos.
A sapiência da tia vai a zero, quando a menina com a sua docilidade pergunta a tia por que ela não quis saber a nota, logo que ela chegou, enfatizando que se tivesse se dado mal, alguma coisa ia ter que fazer para melhorar !!!
Bela forma de viver das crianças. Livres de tudo !
(Adir Vieira - 30/09/10)
Fonte da imagem:pixmac.com.br

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Levitando...


Sabe aquele dia em que você acorda desconectada do mundo?
Pois é, parece que hoje está acontecendo isso comigo.
Meus pés não caminham à minha ordem, meus braços não tem a firmeza necessária, sinto-me leve como um pássaro e comporto-me como se ainda não estivesse de todo acordada.
Sento-me à mesa e a sensação é a mesma. Aquela leveza, como se meu corpo não estivesse ali, comigo.
Não me assusto porque sei que minha saúde está ok e chego a pensar que viajei para outros mundos enquanto dormia.
Insisto em seguir em frente e logo, logo, as respostas me chegam nessa desconexão.
Vou até a cozinha para preparar o café e a cafeteira derrama sem que nem porque, todo o pó para a preparação. Objetos habituados ao meu toque de mãos diário, fogem delas como se num complô, quisessem me dirigir a outro lugar, não ali, naquela cozinha.
Ainda estou leve, quase levitando e vou em frente nos meus afazeres, quando percebo que deixei uma das torneiras abertas e a água já molhava meus pés. Sigo, fecho a torneira, abaixo para enxugar o chão e como se alguém estivesse ali a me descoordenar, bato com a cabeça firmemente no armário próximo a pia.
Foi o que faltava para me acordar de vez.
Pode?
(Adir Vieira - 28/09/10)
Fonte da imagem:babyvelvet.blogspot.com

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Tomara Deus!


Ontem, depois de uma semana sem vê-la, a encontrei de novo.
Impressionante, como a cada dia que passa, nesse momento mágico que atinge a pré-adolescência, as mudanças são rápidas e sempre de muito destaque aos olhos de quem observa com precisão.
Seu rostinho, antes redondo e cheio de cor com aqueles olhinhos sorrindo sem parar, agora, sem mais nem porquê, adquire traços finos, expressão significativa no olhar, introspecção e um segredo latente do que lhe vai no coração.
Basta apenas uma semana para que mudanças e mudanças, no jeito de falar, na forma de andar, na postura do corpo, surjam aos nossos olhos.
O sorriso, no entanto, não muda...
Aquele sorriso aberto, gostoso, de quem acredita, de quem é forte o suficiente para segurar qualquer barra da vida.
Sob o meu olhar orgulhoso, estão preces e preces para que nunca ela se decepcione
.
(Adir Vieira - 27/09/10)
Fonte da imagem:meusdesenganospetrificados.blogspot.com

domingo, 26 de setembro de 2010

Domingo (Olavo Bilac)


Domingo... Os sinos repicam
Na igreja, constantemente,
E todas as ruas ficam
Alegres, cheias de gente.
Todo um dia de ventura...
Como o domingo seduz!
O homem, cansado, procura
Ter paz, ter ar, e ter luz.
Paradas e sem trabalho,
Dormem na roça as enxadas;
Dormem a bigorna e o malho
Nas oficinas fechadas.
Também, meninos cansados,
Os vossos livros deixai!
Deixai lições e ditados!
Dormi! Sorri! Cantai!
Fechem-se as aulas! e o bando
Ruidoso das criancinhas
Livre se espalhe, voando,
Como um bando de andorinhas!
Deus, quando o mundo fazia,
Sete dias trabalhou,
E ao fim do sétimo dia
Do trabalho descansou...
Fonte da imagem: putadevida.weblog.com.pt

sábado, 25 de setembro de 2010

Intensidade...


Tudo em mim é intenso...
Não sei chorar pouco
ou não desejar tudo...
Se a dor se apresenta
me dilacera,
no entanto se vem a alegria,
se apresenta com festa...
Sentir assim é bom ou ruim?
Pergunta-se o poeta
e busca na mente em detalhes
dispersos, a resposta precisa
para esse sentir forte,
profundo, rijo, que de tão forte
às vezes sem sentido...
não deixa o sentir doce e sim vazio...

(Adir Vieira - 25/09/10)
Fonte da imagem:
meme.yahoo.com

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O trabalho (Olavo Bilac)


Tal como a chuva caída
Fecunda a terra, no estio,
Para fecundar a vida
O trabalho se inventou.
Feliz quem pode, orgulhoso,
Dizer: “Nunca fui vadio:
E, se hoje sou venturoso,
Devo ao trabalho o que sou!”
É preciso, desde a infância,
Ir preparando o futuro;
Para chegar à abundância,
É preciso trabalhar.
Não nasce a planta perfeita,
Não nasce o fruto maduro;
E, para ter a colheita,
É preciso semear...
Fonte da imagem: abrangente.blogspot.com

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Aos meus amigos mineiros ou não...



Ocê é o colírio du meu ôiu.
É o chicrete garrado na minha carça dins.
É a mairionese du meu pão.
É o cisco nu meu ôiu (o ôtro oiu - eu tenho dois).
O rechei du meu biscoito.
A masstumate du meu macarrão.
Nossinhora!
Gosto dimais DA conta docê, uai.
Ocê é tamém:
O videperfume DA minha pintiadêra.
O dentifriço DA minha iscovdidente.
Óiprocevê,
Quem tem amigossim, tem um tisôru!
Ieu guárdêsse tisouro, com todu carinho ,
Du Lado isquerdupeito !!!
Dentro do meu Coração!!!
AMO Ocê, uai!!!
Fonte: Internet