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Bem Vindo


sexta-feira, 7 de maio de 2010

Felicidade


Feliz de quem pode na vida
Estar onde e com quem quiser
Longe ou perto
Insisto e persisto
Conseguir esse ideal
Idealizo a pessoa
Dela faço objetivo
Aceito planos e feitos
De modo que eu sempre tenha
Essa tal felicidade!

Fonte da imagem: blog.uncovering.org

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Alternativa


Sinto que hoje não tenho alternativa. É pegar ou largar. E quanto de mal isso me faz. Não sei como cheguei a esse ponto, parece que tudo caminhou lentamente, sem que eu pudesse assim perceber, mas o fato é que agora a questão é definitiva e imutável.Ou me modifico ou continuarei a me envergonhar de não respeitar meus limites, meus próprios desejos.Acho que é sempre assim.Chega um momento crucial em nossas vidas, onde você, unicamente você, ditará os caminhos.

Fonte da imagem:edgarsilva.com.br

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Abençoada


É uma pessoa abençoada por Deus.Vejo isso, sinto isso, pelas pessoas que a cercam no cotidiano.É privilegiada por ser refratária às coisas negativas.Sinto que parece ter um invólucro que, percebido pelas outras pessoas, as impede de mostrarem-se infelizes.Tanto é que suas conversas dizem sempre do amor, da alegria, das situações diárias de leveza. Quando um assunto ou outro é doloroso, é comum transformar-se em piada ou parecer ser uma inverdade.Parece que, na fila do Céu, ela fugiu daquela que distribuía dissabores, fazendo questão de transformar cada ato em algo positivo para a sua própria felicidade..

Fonte da imagem:www.flogvip.net

terça-feira, 4 de maio de 2010

A coroa


É verão. Ela mora num edifício com ampla área de lazer e duas piscinas.Vive só, num apartamento decorado com gosto que faz questão de exibir para aqueles que batem à sua porta, à procura de fósforo ou açúcar, na intenção, talvez, de saber algo mais sobre sua vida.Não trabalha desde que ali reside, mas vive confortavelmente como demonstra: seja pelas compras feitas pela Internet – várias, de baixo e alto custo – habitualmente recebidas pelos porteiros e propagandeadas pelos mesmos, e também pela diversidade de trajes que faz questão de trocar algumas vezes ao dia e exibir em suas descidas ao play.Todos os dias pratica o mesmo ritual.Acorda às 6 horas da manhã e vai à padaria da esquina comprar o pão doce encomendado na véspera e feito quase que com exclusividade para ela.Às 10 horas desce para a área de lazer. Faz uso das escadas alegando necessitar de exercícios para melhorar a saúde. Cumpre cautelosamente essa descida pelos oito andares, solitariamente.Já na área de lazer procura sentar-se em meio ao maior número de moradores e participar das conversas do grupo, mostrando-se sempre atualizada com os fatos corriqueiros e com as novas tecnologias.Ninguém ainda conseguiu descobrir sua idade. Aparenta, no máximo, ter uns 56 anos.É verão. Usa trajes adequados para a praia e traz consigo todos os apetrechos necessários - da sacola com protetor solar, água, toalha... à barraca e cadeira para o repouso – mas nunca usa a piscina. Lá permanece por cerca de três horas e partilha de todos os acontecimentos.Hoje, uma vizinha, mais indelicada, a questionou sobre o fato.Conversou e desconversou, até levantar a saia e exibir uma feia cicatriz na perna direita que subia até o início da coxa, oriunda de uma queimadura numa explosão de gás..

Fonte da imagem:www.midiatico.com

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Mudança


Estou de mudança. Enfim compramos o apartamento tão sonhado. Quisemos que fosse localizado numa rua tranqüila e arborizada, bem longe do burburinho do comércio.Era imprescindível que toda a frente recebesse sol da manhã, para que no verão próximo e em todos os outros que lá passaremos, as tardes se encarregassem de esfriar as paredes, garantindo que o clima, à noite, fosse quase o ideal.Embora o prédio tenha playground e duas grandes piscinas, o escolhemos, entre outros, porque essas áreas ficam bem destacadas do corpo predial e assim não seremos perturbados.Como se situa em centro de terreno, todo o seu em torno é repleto de pequenos arbustos e folhagens coloridas e, logo na entrada, uma grande roseira de flores vermelhas que dão ao local uma vista deliciosa.A portaria, embora luxuosa, possui apenas um grande sofá, propositalmente colocado na frente de uma parede espelhada e não permite, por seu arranjo, que moradores ou visitantes ali permaneçam por muito tempo, o que propicia a ausência total de desordem das crianças mais peraltas.Quisemos também que fosse no sétimo andar, pois, assim, teríamos uma paisagem mais abrangente e ficaríamos alheios aos possíveis ruídos vindos da rua.O que mais me fez apaixonada por ele foram os corredores amplos, em mármore branco, longos, para nos dar a impressão de caminharmos em purificação até chegar à entrada.As duas portas de entrada – sala e área de serviço – em madeira branca com detalhes dourados, deram ao local um ar de suntuosidade aparente, convidando a quem chegasse a observar o bom gosto.Escolhi para essa entrada os melhores limpa-pés. Nada de pequeninos: altos, sem frisos ou bordas, de cor marrom claro, perfeitos…Ao abrir-se a porta vê-se um corredor comprido, espelhado, que, por seu tamanho, pode alojar um aparador igualmente branco, onde planejei colocar um vaso de cano alto e a caixa para correspondências trazida de Portugal.A passadeira também foi comprada com critério. Nada de motivos florais ou linhas sem expressão. De cor caramelo forte forma, no centro, um desenho irregular que a fez diferente de qualquer outra.O corredor dá acesso aos três amplos quartos: o de casal com suíte de rainha, que decoramos de branco, com cortinas em tom pastel, o de hóspedes em tom verde clarinho e o destinado apenas ao repouso, decorado em amarelo suave. Este recebeu três grandes poltronas acolchoadas e de tecido com florzinhas miúdas, do tempo da vovó, uma mesa de centro para livros e revistas e vários almofadões espalhados pelo chão. Coloquei um vaso de plantas com uma grande folhagem junto à janela e não esqueci do carrinho de chá, em palhinha chinesa, presente de uma grande amiga numa viagem ao exterior.Todos os quartos exibem, com galhardia, as telas pintadas por meu marido, motivo pelo qual esse apartamento tem um espaço somente para o seu trabalho de pintura. Seu novo atelier. Foi difícil arranjar, nos lugares certos, os inúmeros vidros de tinta a óleo, as pranchetas de vários tamanhos, cavaletes e telas virgens. No final tudo ficou lindo. Persianas quase transparentes cobrem o imenso janelão de frente para a rua, cenário perfeito para o trabalho do meu artista.O corredor também dá acesso à sala de dois pavimentos, divina com seus sofás em tom ferrugem e uma obra de arte, uma figura de mulher, em mármore branco, de tamanho natural, em um dos cantos. Para a sala designei um dos seus quadros mais bonitos, tipo painel com uma moldura em madeira, inigualável. Foi o primeiro dos quadros que pintou e que fez com que eu o incentivasse para compor um grande acervo, hoje, com muitas e muitas obras de fino gosto.No final do corredor, a cozinha, toda em amarelo claro, me diz onde estarei a maior parte do meu tempo. Adequadíssima e perfeitamente equipada, tem todos os apetrechos à mostra, à mão, já que o espaço assim o permite. Ali será o meu laboratório diário nas iguarias que pretendo preparar, a começar pelo almoço de inauguração do apartamento e mostra à família que hoje, numerosa, pode ser abrigada de uma só vez.Não esqueci de colocar numa espécie de pedestal meus livros de receita preferidos. A bela fruteira vinda da Áustria será cuidada para que esteja sempre ornada com as frutas de minha preferência.Dois outros banheiros enormes em branco neve, com as louças em preto, darão, sem dúvida, à nossa higiene diária, um prazer e uma calma permanentes. Localizados um tanto distante das áreas comuns, garantem a privacidade necessária aos banhos de sais que, agora, serão costumeiros.As áreas de serviço ficaram restritas à guarda de objetos e equipamentos sem utilização, tal qual um almoxarifado doméstico.Enfim, estamos de mudança. Já contratamos duas auxiliares para a manutenção geral da limpeza, a cada semana.O último caminhão segue agora com os nossos pertences finais.Viro-me e, vendo meu cantinho totalmente vazio, a futura saudade não me deixa ir em frente.Em poucos minutos vivo e revivo tudo o que aqui construí nesses quinze anos e, de repente, quase me arrependo de partir.Enfim, estou de mudança... mas não totalmente feliz...

Fonte da imagem:www.pref.iwate.jp

domingo, 2 de maio de 2010

A pobre menina rica


Eram cinco as meninas que conversavam.Da mesma idade todas, embora os tipos físicos destoassem entre si.Uma loirinha, mais alta, tinha os olhos voltados para o social, para o que denotasse aparência e isso se fazia sentir no traje que usava - sandálias maiores que os pés, de solado grosso e alto, shorts de adulta e blusinha bordada com florões, deixando a barriga totalmente descoberta.A outra, ao lado, vestia roupas simples de menina daquela idade, não arriscava falar muito. Era amiga da loirinha e estava de visita, parecia não conhecer as demais.Uma morena, bem mais alta, já parecia adolescente e suas atitudes mostravam uma criança grande desengonçada. Morava no mesmo prédio e era amiga da loirinha também.A quarta, bem mais baixa e mais esperta que todas, era magrinha e parecia uma adulta em miniatura. Trajava shorts com pedrarias e sandálias bem mais altas do que as da loirinha.Notei que a quinta era simples demais – trajava roupas de criança mesmo, criança daquela idade – e seu rostinho meigo era seguro e seus comentários, na conversa, sem compromisso, diziam convicção.Sentada ali ao lado, entre a algazarra que faziam, parei de ler para prestar atenção na conversa. Sempre me interesso pelos papos de crianças.Reparei que o pivô era a quinta. As quatro tentavam descobrir, a partir da afirmação da loirinha, se era verdade ou não o fato dela, a quinta, ser rica.Eis que, do nada, surge a mãe da menina para buscá-la para o jantar e outras duas incitam a terceira a desvendar o mistério, indagando da mãe. Depois do empurra-empurra habitual, uma delas se encorajou e fez a tal pergunta:- Tia, perguntamos à Taissa se ela era rica e ela respondeu que sim, é verdade?Percebi que a mãe, sem nada entender, apenas respondeu:- Se ela disse que é, podem acreditar que sim, porque só somos o que verdadeiramente sentimos ser.A mãe e a menina despediram-se do grupo que, um pouco decepcionado e sem mais o que comentar, desfez-se….

Fonte da imagem:www.poesias.omelhordaweb.com.br

sábado, 1 de maio de 2010

Amanhã


Amanhã vou começar “aquela” dieta.Decidi isso agora, quando me olhei no espelho de perfil.Amanhã, prometo, vou começar. Tão decidida estou, que vou esvaziar o freezer das esfirras e sanduíches naturais preparados para a semana. Não posso tê-los perto como tentação.Decidi mesmo, vou começar.Preparei todos os artefatos necessários para não voltar atrás nesse momento de total decisão.Já preguei na porta da geladeira minha foto preferida, aquela que me mostra quinze quilos a menos, aquela em que de frente, de perfil, de costas, pode se ver os ossos, hoje tão escondidos.Junto a ela, outra e mais outra, onde o sorriso – a boca era maior ou a gordura encobriu-a em parte – era de poderosa.Tirei do guarda-roupa peças de tamanhos menores e jurei que em mim entrariam, pelo menos, daqui a duas semanas.Separei revistas com dietas de todos os tipos e amanhã vou escolher a melhor, aquela que me fará, sem sacrifícios ou não, atingir o meu objetivo hoje – o de começar uma dieta amanhã!

Fonte da imagem:agorafamosos.com